ARTIGO

O Estado da Arte das Pesquisas sobre o Sofrimento Psíquico em  Familiares Cuidadores de Crianças no Tratamento do Câncer

The State of the Art of Research on Psychological Suffering in Family  Caregivers of Children in the Treatment of Cancer

Thais Castelo Araújo Oliveira

RESUMO

Identificar nas literaturas já existentes as principais causas do sofrimento psíquico  dos cuidadores de crianças com câncer e compreender como o diagnóstico de  câncer afeta não só a criança acometida pela doença, mas também os membros da  família que convivem com a mesma, é o principal objetivo da pesquisa, no entanto  visamos dar um suporte no cuidado e formação mais adequado para o cuidador.  Metodologicamente a pesquisa vem tratar de uma causa de saúde urgente e de  natureza bibliográfica, para a sua realização foi efetuada uma busca nas bases de  dados da (BVSPSI) Biblioteca Virtual da Saúde e (“SCIELO”) “Scientific Eletronic  Library Online”. No entanto para viabilizar a coleta de dados foram utilizados os  descritores: Câncer e família, Câncer e familiares cuidadores, que serviram de base  para a conclusão deste. Para finalizar a pesquisa os estudos concluem que é visível  um maior envolvimento dos cuidadores familiares com crianças com diagnóstico de  câncer, sendo que os artigos revisados mostraram que o estresse, a culpa e a dor  são fatores latentes na vida dos cuidadores. Contudo, se faz necessário uma maior  atenção à saúde psíquica do cuidador.  

Palavras-chaves: Sofrimento psíquico; Cuidador; Câncer.

ABSTRACT

To identify in existing literature the main causes of the psychological distress of  caregivers of children with cancer and to understand how the diagnosis of cancer  affects not only the child affected by the disease but also the family members who  live with it, is the main objective of the Research, however we aim to provide support  in the care and training most appropriate for the caregiver. Methodologically the  research is an urgent cause of health and of a bibliographical nature, for its  accomplishment a search was made in the databases of the Virtual Health Library  and (SCIELO) Scientific Eletronic Library Online. However, to enable data collection,  the following descriptors were used: Cancer and family, Cancer and family  caregivers, which served as a basis for the conclusion of this study. To conclude the  research, the studies conclude that a greater involvement of family caregivers with  children with a diagnosis of cancer is visible, and the articles reviewed showed that  stress, guilt and pain are latent factors in the caregivers' lives. However, more  attention is needed to the psychic health of the caregiver.

Keywords: Psychic suffering; Caregiver; Cancer

INTRODUÇÃO  

O câncer sempre foi um grande vilão da sociedade, pela sua severidade tanto no  tratamento, quanto nas mudanças estruturais da vida de uma pessoa, ainda hoje é  possível notar certa temeridade e desespero quando se recebe um diagnóstico de  câncer, mesmo com tantos avanços na medicina e na tecnologia o câncer não  deixou de ser um grande vilão que por muitas vezes está associado à morte.  

“Quando o portador de câncer é uma criança, não há como não falar da  

família, pois os danos causados pela doença também afetam seus  

familiares de uma forma muito intensa e estes têm papel fundamental no  

tratamento e recuperação do paciente” (CARDOSO, 2007, p. 25).

Ao receber um diagnóstico de câncer, tanto o paciente quanto a família começam a  viver uma nova realidade na estrutura familiar, principalmente quando o paciente é  uma criança, tudo em sua vida será modificado em decorrência da doença, além das  diversas modificações físicas e psicológicas, que consequentemente afetarão a  estrutura familiar, trazendo sofrimento ao cuidador.

“Com o processo científico, o câncer infantil tem-se apresentado como uma  

doença com perspectiva de 70% de cura, quando o diagnóstico é precoce e  

tratado em centros especializados. Garantir uma boa qualidade de vida a  

essas crianças é uma preocupação cada vez maior, trazendo para as  

equipes de saúde a necessidade de oferecer uma assistência voltada para  

a promoção e proteção da saúde da família como unidade de cuidado,  

atentando para os aspectos físicos, sociais e emocionais” (AMADOR et al,  

2013, p. 543).  

O diagnóstico do câncer expõe os indivíduos a distintos estados emocionais,  levando-os à incerteza em relação ao futuro, pois esses estados emocionais advêm  do sofrimento e da dor causados pela decadência contínua de saúde do indivíduo  com câncer. A resposta do doente e dos familiares em relação à doença dependerá  da história de vida da família, a ligação sentimental entre os membros, o contato, o  companheirismo, a disponibilidade e principalmente o estado psicológico de cada  um dos membros inseridos nesse contexto, tendo em vista o fator psíquico, vale  pensar que este ponto tem muita influência no enfrentamento do diagnóstico de  câncer de um filho.  

O estudo do tema é de suma importância para que possamos ter uma visão mais  ampla em relação às consequências psicológicas que o câncer infantil pode vir a  causar na estrutura mental do familiar cuidador da criança em tratamento, o motivo  principal para a escolha do tema, se deu a partir de uma indagação particular sobre  esse público cuidador, onde através de leituras sobre o tema observou-se dedicação  e renúncia por parte dos familiares cuidadores desse ser necessitado de cuidados e  atenção.  

Sabendo da importância da família na recuperação de um paciente internado, é  preciso pensar na importância de dar ênfase à família e especificamente àqueles familiares que abrem mão de seus projetos e desejos para dar total atenção ao seu  familiar (criança) doente, que se encontra hospitalizado. Os membros das famílias  que tem um membro doente sempre acontecem um revezamento de pessoal para o

acompanhamento ao paciente, porem, no entanto o hospital passa ser a casa do  cuidador e ou do acompanhante.

Dar uma atenção maior ao aspecto psicológico e emocional desses cuidadores  repletos de histórias e sentimentos vem contribuir significativamente para que se  possa pensar em métodos, atividades e até mesmo um maior cuidado psicológico  para esse cuidador. O estudo sobre o sofrimento psíquico de familiares cuidadores  poderá contribuir para alertar não só a família, mas a sociedade sobre a importância  que devemos ter em relação ao bem estar psíquico daqueles que estão  constantemente ligados ao sofrimento de um ente querido, tendo em vista que os  mesmos estarão realizando o papel de cuidador.

O suporte psicológico deve se estender a esse cuidador familiar que além de  parente, exerce o papel de cuidador e que por muitas vezes precisa saber separar  esses papéis para poder dar suporte à criança em tratamento, e para suportar o  sofrimento pessoal de ver alguém que se ama sofrer. Com esse objetivo o artigo  está dividido em três partes. Na primeira parte discuto a implicação do câncer para o  cuidador; na segunda parte apresento as ferramentas metodológicas que usei em  minha coleta de dados para, enfim, apresentar a discussão dos artigos levantados  pela pesquisa bibliográfica realizada. Por fim, podemos concluir que ainda há muito  a pesquisar sobre o impacto da doença no cuidador.

“Na sociedade, o câncer é visto como uma doença que gera sofrimento, dor e  desestruturação familiar, e esses sentimentos se intensificam quando se trata de  uma criança, pois ela está iniciando sua trajetória de vida” (DI PRIMIO et al., 2010,  p. 335). A doença é um abismo no qual o sujeito doente não escolheu estar, e  quando é vivido por uma criança nota-se que o defensor principal da mesma se põe  a frente desse abismo.

A moléstia faz com que o cuidador, mesmo não estando doente, absorva grande  parte do sofrimento da criança, que por estar em desenvolvimento, ainda não possui  um discernimento do que o câncer trouxe para a sua vida, então este discernimento  passa a ser do cuidador presente na vida deste ser. “A evolução da doença  oncológica conduz, de certa forma, quase que naturalmente à assistência voltada  aos princípios dos cuidados paliativos, incluindo a participação ativa da família no  cuidado à criança e ao adolescente” (SANCHES; NASCIMENTO; LIMA, 2014, p.31).

“A família cuidadora necessita de informações concretas, sem omissões, de forma  transparente e objetiva, de modo que possa se sentir mais segura, conseguindo,  assim, enfrentar a experiência” (SANCHES; NASCIMENTO; LIMA, 2014, p.33). Observa-se a importância da comunicação real, simples e acolhedora por parte dos  profissionais de saúde, para que possam se sentir acolhidos e por dentro daquela  situação, obtendo as notícias precisas sobre o real estado da criança os familiares pode se preparar para acolhê-la. A inclusão da família no processo de saúde-doença instaura um incondicional apoio mediante as urgências de agravamento trazidas  pela enfermidade. “A família cuidadora necessita de dois tipos de apoio social: o  apoio emocional/instrumental (afeto, estima, companhia/aconselhamento, ajuda  prática, ou auxílio financeiro) e o apoio diário focado na orientação de problemas” (SANCHEZ et al., 2010, p. 292).

“Considerando as implicações biopsicossociais da enfermidade e as  

complexas demandas da terapêutica, a inclusão dos pais no tratamento do  

câncer infantil é extremamente importante. Para assumirem suas funções  

de colaboradores, os pais precisam estar em plenas condições para se  

envolverem no processo, que é longo e inclui procedimentos intrusivos,  

como cirurgia e sessões de quimioterapia e radioterapia, que podem deixar  

a criança ainda mais vulnerável e debilitada”. (MENEZES et al., 2007,  

p.196).

Um aspecto importante é a estrutura psicológica desses familiares que são afetados  diretamente por essa doença. Dar ênfase a essa estrutura vem possibilitar um  melhor entendimento por parte dos pais em relação à doença do filho, fazendo com  que o mesmo compreenda que a sua postura pode afetar positivamente ou  negativamente o emocional da criança. A troca de carinho e afeto envolve diretamente a criança, ter uma família estruturada e vinculada entre si traz  benefícios ao tratamento e a própria superação do momento vivido por todos.

Essa vivência guia o sujeito inserido no contexto, para sentimentos, sensações e  estados emocionais de profunda dor, causando um impacto negativo e temeroso,  dificultando o ânimo durante a fase do internamento. Portanto, o câncer simboliza  

perda, dor, e essa expressão de sofrimento, traz desordem e mal estar para a  família e para a criança, esse senário torna-se preocupante, pois retira o equilíbrio  normal do sujeito, e viver após esse “desencanto” se torna uma difícil tarefa a ser  cumprida. (QUIRINO; COLLET, 2012).

Essa desordem causada pelo câncer advém do estigma de doença incurável, o peso  desse sinal negativo na maioria das vezes se fortifica pela severidade da  enfermidade. Com essas evidências dolorosas, o cuidador facilmente se move a  pensar no pior, causando neste, pensamentos contínuos de perda, piora,  agravamento da doença e consequentemente, esses fatores negativos externos  podem vir a afetar à saúde psíquica deste indivíduo, deixando-o debilitado para se  reconhecer diante de uma situação a ele imposta.  

“O medo, a depressão e a culpa estão presentes diariamente na vida dos  

pais, fazendo com que estes se sintam incapazes diante da doença. Tais  

sentimentos estão associados à preocupação em relação ao futuro do filho  

no que se refere, principalmente, ao tratamento, às relações interpessoais e  

aos aspectos profissionais”. (DUARTE; ZANINI; NEDEL, 2012, p. 114).  

Ao adoecer a criança fica totalmente dependente dos seus responsáveis. Tendo em  vista a agressividade da doença a criança tende a não ter domínio do seu corpo e  por muitas vezes a medicina acaba se limitando e não consegue atender as  necessidades do paciente quando esta depara-se com o estágio avançado da  doença. “Dessa forma, a família assume um importante papel no cuidado à criança,  pois detém a responsabilidade com o bem-estar físico, emocional e social de seus  membros, e é no reduto familiar que a criança encontra boa parte de seu referencial” (DI PRIMIO et al., 2010, p. 335).

A categoria na qual o cuidador do paciente pediátrico é inserido faz parte de uma  relação de conexão conjunta entre a família, o paciente e o cuidador principal. Essa  condição de ser cuidador segue todo o percurso de cuidado durante o prolongado tratamento e é por isso que o cuidador deve estar de prontidão e perceber a melhor  forma para combater os obstáculos (KOHLSDORF; JUNIOR, 2012).

O modo como esse núcleo familiar age diante da notícia, e de todo o processo de  tratamento, agrega energia capaz de fortificar ou desestruturar a base de  acolhimento da criança enferma. Ao falar de uma relação processual podemos sim  pensar em um processo de desenvolvimento dessa experiência, que sirva para uma  assimilação do diagnóstico e do prognóstico da doença, para que a partir desse  raciocínio sobre o problema o sujeito protetor não se perca na dor, mas, possa ter uma visão ampla de todo o contexto.  

“O cuidador principal investe-se de poder no cuidado ao doente; é ele  

quem toma as principais decisões, que realiza as atividades de vida  

diária, que enfrenta as dificuldades para realizar os cuidados. Ao  

assumir estes cuidados, pode sofrer um desgaste. E define-se este  

desgaste como o ato ou efeito de desgaste-se, ou seja, destruir-se  

pouco a pouco. A situação do familiar que tem um parente internado  

agrava-se quando ele assume o papel de acompanhante, em razão  

do desgaste físico e emocional a que está exposto” (BECK; LOPES,  

2007, p. 513-514).  

A doença da criança faz com que o cuidador perca de alguma forma sua identidade  e viva intensamente todo o processo de sofrimento daquela criança, processo este  que afeta a sua estrutura física e emocional. Essa relação de proximidade e busca  pela cura traz resistência e perseverança contra essa doença carregada de  surpresas, capazes de modificar drasticamente a vida de qualquer ser humano, ou  até mesmo deixar profundas marcas no corpo e na alma daqueles que tem a sua  história de vida transpassada por essa “caixa de surpresa” que é o câncer. “Assim, a  cura é o projeto principal e só depois dela é que o paciente e a família poderão  continuar ou, ao menos, tentar continuar os projetos de vida que deixaram para trás  após o diagnóstico” (ANDRADE et al., 2014, p.1027).

É notório que os cuidadores de crianças em tratamento de câncer sofrem grandes  abalos por terem sua rotina diária modificada por causa dos cuidados que os  mesmos têm que se submeter para ajudar a dar suporte à criança enferma, porém,  um fator que deve ser observado e que muitas vezes é negligenciado, é o fator  mental que sem dúvida é afetado diretamente pela desconstrução da estrutura  familiar.

“A família deve participar do tratamento e receber suporte não apenas para  

aprender a cuidar do paciente, mas, sobretudo, para enfrentar,  

compreender e compartilhar a situação de doença e/ou deficiência, e  

conseguir lidar mais adequadamente com seus próprios problemas,  

conflitos, medo e aumento das responsabilidades” (BECK; LOPES, 2007, p.  

671).

Estar presente em todo o processo de tratamento e recuperação da criança  direciona a família a vários tipos de sentimentos e emoções. Os familiares se veem  rodeados de incertezas, esperanças, alegrias e tristezas essa montanha russa de  estados emocionais pode ocasionar estresse e uma fragilidade psicológica no  cuidador. “A angústia diante do sofrimento do filho e dos outros pequenos pacientes internos faz com que os familiares peçam para trocar de lugar com ele (o filho)” (CASTRO, 2010, p. 981).

Quando uma criança tem um diagnóstico de câncer, é frequente a mãe entender  com mais rapidez o processo da doença, o que ajuda na dinâmica familiar, pois, a  mãe facilita a compreensão dos demais familiares sobre a mesma. Lidar com os  aspectos médicos da doença e com as necessidades e medo dos membros da  família são uma tarefa árdua, porém, todo o processo de assimilação da doença  vem a partir do cuidado para com a criança doente. “As mães experienciam e  vivenciam muito de perto o processo da doença, que se inicia com a notícia de que  algo não vai bem com a criança e se concretiza com o diagnóstico” (ANGELO;  MOREIRA; RODRIGUES, 2010, p. 302).

Diante do nível parental e proximal geralmente a mãe assume o papel de cuidador  principal, possivelmente a mãe adquire e toma para si todo o cuidado do filho,  muitas vezes pelo seu cuidado maternal a mesma disponibiliza todo o seu tempo em  prol da proteção e assistência do filho. Ao ter uma criança enferma dentro do seio  familiar, toda a família sente as frustrações e se entristece com a situação, porém,  devemos lembrar que todos podem ficar tristes e preocupados com a situação, mas,  sempre existe aquele ou aquela que larga toda sua estrutura de vida e até mesmo  seus projetos, para zelar e dar atenção incondicional a criança durante seu  tratamento.

“Uma condição de vulnerabilidade, que faz o homem perceber que é um ser  

frágil e desamparado diante das contingências da vida, é experiênciar uma  

situação de doença com perspectiva de morte iminente, sua ou de ente  

querido. Nesta esfera reconhece-se que sentimentos como desespero,  

medo e impotência brotam” (BIELEMANN, 2003, p. 136).

A escuta psicológica ao paciente e ao familiar assistente do doente pode  proporcionar um enfrentamento coletivo diante da doença que assola o meio  familiar. É importante para que o parente e o próprio doente criem possibilidades  para suportar todas as angústias causadas pela dor.

“As expectativas geram ansiedade e estado de alerta constante,

causando desgaste físico e mental para os cuidadores. Por outro  

lado, dependendo da pessoa e do contexto no qual está inserida, as  

expectativas podem proporcionar a preparação para a despedida do  

familiar, e desta forma, um crescimento pessoal, mesmo diante da  

dor”. (BARROS; ANDRADE; SIQUEIRA, 2013, p. 104).  

“O cuidador principal, pela convivência mais próxima com a criança, experimentam  um intenso sofrimento devido às mudanças e privações, que comprometem sua  qualidade de vida” (AMADOR et al., 2013). A importância do estudo é exatamente  evidenciar, que diante desse contexto de doença não podemos esquecer-nos  daqueles que sacrificam-se a si mesmo para ajudar na recuperação do outro.  Sabendo que cada indivíduo possui as suas particularidades, que é preciso dar  ênfase as emoções dos sujeitos, e que cada um reage de maneira distinta diante  das situações, principalmente quando o fato é uma doença tão estigmatizada e  temida socialmente, esse sujeito fica ainda mais vulnerável mentalmente sentindo-se  muitas vezes perdido em um novo e desconhecido território.

Perante os desafios e aflições que o cuidador mais próximo da criança doente  enfrenta, se faz necessário uma visão mais ampla com o intuito de discutir e alertar  a família, os profissionais e a sociedade, de forma que os mesmos possam ter um  cuidado maior com a saúde daquele que cuida do doente, para que este ao encerrar  seu trabalho de dedicação e disponibilidade não venha a adoecer. Esta pesquisa  assume grande importância social e familiar, à medida que têm a intenção de  evidenciar os fatores que causam o sofrimento psíquico do cuidador para discutir-se  melhorias na atenção mental desse sujeito diante das situações adversas causadas  pelo câncer.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Partindo da necessidade de compreender como o diagnóstico de câncer afeta não  só a criança com a doença, mas também os membros da família que convivem com  a mesma, visamos através dessa pesquisa evidenciar os fatores que podem causar  sofrimento nos familiares que disponibilizam seu tempo em prol do cuidado dessa  criança em tratamento de câncer, se faz necessário discutir a importância do  acompanhamento e de uma maior atenção aos sentimentos e sofrimentos do  cuidador, ou seja, cuidar do seu psicológico.

Para o desenvolvimento do estudo consideram-se alguns pontos específicos: a  família que tem uma criança em tratamento de câncer, o cuidador que está ligado  diretamente ao paciente, o sofrimento emocional é notório e é gerado por todo o  processo da doença, no entanto o envolvimento do cuidador e sua participação no  tratamento é muito importante para os avanços da recuperação.  

O presente estudo faz parte de uma pesquisa de caráter bibliográfico exploratório  descritivo. “A pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já  elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. GIL, Antônio  Carlos (2008, p. 37). 

Na pesquisa exploratória têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o  problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. E a pesquisa  descritiva tem como objetivo primordial a descrição das características de  determinada população ou fenômeno, o estabelecimento de relações entre variáveis.  

O presente estudo tem como base a revisão bibliográfica do tema, visando  aprofundar questões importantes a serem analisadas em artigos que escrevem sobre o impacto trazido pelo diagnóstico de câncer infantil para uma família. O intuito  seria levantar o estado da arte dos artigos que discutem o sofrimento psíquico dos  familiares que assumem o papel de cuidadores, que estão inseridos no contexto de  enfermidade da criança no tratamento do câncer.  

Segundo Sandra et al (2002) “Nos últimos quinze anos tem se produzido um  conjunto significativo de pesquisas conhecidas pela denominação “estado da arte”  ou “estado do conhecimento”. Definidas como de caráter bibliográfico, elas parecem trazer em comum o desafio de mapear e de discutir uma certa produção acadêmica  em diferentes campos do conhecimento (SANDRA, 2002. p.56).

O cenário da pesquisa se deu em primeiro lugar no site da BVSPSI (Biblioteca  Virtual da Saúde), mediante este cenário foi escolhido as bases de textos completos  do “SCIELO” (“Scientific Eletronic Library Online”), que mostrou como resultado 216 artigos a partir dos descritores câncer, familiares e cuidadores. Os critérios de  inclusão dos artigos na revisão foram: estudos sistemáticos que abordassem a  família que tem uma criança em tratamento de câncer; a relação do cuidador que  está ligado diretamente ao paciente e o sofrimento psíquico gerado por todo o  processo da doença sobre o cuidador, diante dos 216 artigos encontrados 171  artigos não se aplicam à pesquisa, pois estão fora do idioma padrão escolhido que é  o Português, outros artigos que de alguma forma, estudavam a especificidade de  cada câncer como: mama, próstata, colo de útero etc., enfocando apenas no  enquadramento orgânico e outros temas que envolviam o câncer, porém os artigos  fugiam do enfoque determinado para ser analisado, não sendo portanto utilizados na  pesquisa.  

Após o critério de exclusão a amostra adquirida foi composta por 45 artigos, estes  foram selecionados através do estudo de 2010 a 2015, afunilando o tempo e  facilitando o estudo e o entendimento sobre o tema. Assim, a amostra foi composta  por 33 artigos, sendo que pela divisão dos descritores observou-se que artigos se  repetiam. Dessa forma, restaram 26 artigos, onde foi feita a leitura minuciosa destes  e seguindo o critério de inclusão dos artigos foram excluídos mais 14 artigos, pois  não se adequavam aos critérios de inclusão da pesquisa, os aspectos encontrados  dentro dos artigos e que serviram como critério de exclusão foram: finitude, fisiologia  da dor e o stress em pacientes oncológicos, perspectivas de enfermeiros em  relação aos cuidados, entre outros aspectos que se assemelhavam a estes fatores  excludentes, assim obteve-se 12 artigos que foram devidamente analisados, dessa  forma a técnica principal do estudo foi a leitura crítica dos artigos.

Os artigos foram revisados seguindo as perspectivas da análise temática, sendo  inicialmente procedida à leitura dos artigos, a identificação dos eixos temáticos e  seus respectivos núcleos de sentido. Os assuntos foram analisados e interpretados,  sendo agrupados, considerando-se que a leitura dos artigos servirá de base para a  construção de um exame de um tema sobre novo enfoque, e é diante dos textos e  autores selecionados que será levantado uma discursão a respeito do problema em  questão. O texto será construído sendo registrado após leitura crítica-analítica, com  objetivo de selecionar os principais conceitos, verificando como aparece o  sofrimento psíquico nos familiares cuidadores de crianças com câncer, com o intuito  de agregar uma visão mais ampla e focada no tema proposto.

Os artigos foram utilizados para dar referência científica, e é diante da análise  meticulosa e ampla das publicações, que a pesquisa será organizada de forma  coesa, onde o leitor possa verificar as articulações entre os pensamentos, e assim  perceber de fato a importância do estudo proposto.

DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

No que diz respeito às consequências da doença sobre o familiar cuidador, os  artigos pesquisados referem-se à mãe como assumindo essa função, a pesquisa  identificou três aspectos mais discutidos, sobre esse item o estresse, a culpa e a  dor. Dentre os fatores ocasionados pelo câncer infantil no familiar cuidador estão  eles: o sacrifício, a dor, as dificuldades financeiras e a angústia emocional, a  literatura mostra que “a experiência de ter um filho com câncer ocasiona diversos  efeitos na vida da família” (ANGELO et al., 2010, p.302).

Quanto ao fator estresse, observa-se que 3 dos 12 artigos relatam em seus estudos  o fator estresse como consequência da situação vivenciada.

1º “O sofrimento dos pais com a doença crônica dos seus filhos resulta em  

altos níveis de estresse e na ocorrência de sintomas de ansiedade”  

(ALVES; GUIRARDELLO; KUMASHIMA, 2013, p.6).

Tomando como base essa citação acima, podemos observar que ao falar de  estresse os autores citam o sofrimento como um gerador do fator estresse.

2º “Além do estresse, ansiedade e depressão, a vivência do câncer traz  

para a mãe um efeito negativo no seu senso de domínio das situações,  

sendo um mediador entre a incerteza e a ansiedade” (QUIRINO; COLLET,  

2012, p.299).

3º “A função cuidadora abrange questões relacionadas à afetividade, ao  

instinto materno e às dificuldades do homem em desempenhar o cuidado  

com os filhos” (WEGNER; PEDRO, 2010, p.337).

“As cuidadoras têm conquistado espaços fundamentais à sua afirmação  

social e, principalmente, valorização perante a sociedade por meio dos  

papéis que vêm desempenhando com competência seja na família ou na  

comunidade. Dentre os vários papéis por ela desempenhados, o de  

cuidadora é histórica e culturalmente o mais evidenciado e assimilado.  

Quando se trata de cuidar/acompanhar um familiar em situação de  

hospitalização, seja ele, filho, esposo, mãe/pai, é a mulher que está  

implicitamente associada como cuidadora principal da família”. (WEGNER;  

PEDRO, 2010, p.336).

Pode-se concluir que todo o processo do tratamento, o acolhimento da notícia de  câncer do filho e a preocupação com a criança fragilizada, fazem com que  determinadas mudanças vindas do processo saúde-doença venham acarretar em  altos níveis de estresse por parte daqueles que dedicam os seus dias aos cuidados  do filho, os dados revelam que ambos pai e mãe, se destacam por grande presença  nesse processo.  

Segundo Amador (2013, p.512), afirma que a culpa nos depoimentos de cuidadores  é tida como uma consequência de algum comportamento reprovável nota-se que  esse discurso vem de uma falta de justificativa para a doença. O estudo que  apresenta a culpa como um depoimento comum para os cuidadores, aborda  questões como o medo de falhar, a insegurança pelo que possa vir a acontecer, as oscilações de esperança e desesperança são inevitáveis, pois a dúvida quanto a  vida futura do filho mostra-se como uma incógnita. O estudo mostra que a compreensão do cuidar se estende ao passo que o cuidador toma totalmente para si  a responsabilidade pelo bem estar e proteção da criança, essa preocupação  decorrente da enfermidade da criança é natural, pois ao sentir culpa o cuidador  preocupa-se com tudo que poderá vir acontecer durante o tratamento da criança,  isso faz com que aconteça outro fator capaz de tirar o sossego do responsável pela  criança, refiro-me a dor sentida pelo cuidador.

“A família vivencia o medo de falhar, de ser negligente, de ser castigada,  

rompendo, inclusive com a perspectiva de vida e futuro projetados para a  

criança. Entretanto, ao se defrontar com a morte, ou com a sua  

possibilidade, os indivíduos experimentam sentimentos de angustia, dor e  

medo, principalmente frente a uma doença crônica grave, como é o caso do  

câncer, que já traz em si a consciência culturalmente determinada de morte.  

Quando essa possibilidade se estende a criança, torna-se ainda mais  

dolorosa, pois a família se sente traída pela vida, com a retirada prematura  

daquele ser”. (AMADOR et al., 2013, p.544-545).

Quando o fator gerado foi sobrecarga decorrente do sentimento de culpa  ocasionando perda na qualidade de vida, observou-se uma relação entre a  qualidade de vida e a sobrecarga, além de relatar que a “a fé aponta para a  diversificação das estratégias de enfrentamento da culpa e do estresse” (ANDRADE et al., 2014, p.1026).

Desse modo pode-se visualizar fortes fatores que contribuem para o sofrimento  psíquico do familiar cuidador de uma criança com câncer, o estudo dos artigos  demonstram os três maiores contribuintes para esse possível adoecimento (o  estresse, a culpa e a dor), esses fatores emocionais acarretam para o indivíduo 3  consequências que podem agravar ainda mais o estado emocional do cuidador são  eles: a mudança na rotina, a ruptura dos referenciais e a desestruturação familiar.

A frequência de fragilidade dos cuidadores, sua relação com a criança com câncer,  os seus medos pessoais e a preocupação para com a criança, levam o sujeito a se  fragilizar frente a tantas demandas impostas pela doença e muitas vezes imposta  pelo próprio cuidador. A maioria das famílias que passam por esse problema  vivencia uma ruptura dos referenciais. “A doença é um episódio na vida da pessoa e  de sua família que provoca a ruptura dos referencias, forçando-os a se adaptar à  nova realidade ao ingressarem em outro mundo, o do hospital, constituída de  elementos diferentes da vida cotidiana” (DUARTE; ZANINI; NEDEL, 2012, p.114).  

Uma doença em um filho desestrutura a família e quando falamos do câncer infantil  é preciso lembrar-se da falta de equilíbrio que este causa na relação familiar. A  rotina diária é alterada em decorrência da doença do filho, causando assim  sobrecarga e complicações cotidianas, ao passo que o câncer modifica os papeis de  cada membro. O choque causado pela doença crônica gera total atenção para a  criança. (QUIRINO; COLLET, 2012, p.297).

Os estudos ressaltam que as mudanças de rotina que adentra nas modificações  estruturais da vida familiar são também responsáveis pelos sentimentos de  insegurança, incerteza, medo, estresse, dor, culpa dentre outros. Nota-se que  alguns ganham menos intensidade durante o processo de saúde/doença e outros como aqui já foram ressaltados ganham maior intensidade ao ponto de fragilizar o  cuidador.  

“A relação do câncer com a dor, o sofrimento, a deterioração do ser e a  

sensação de finitude remete à importância do cuidado – que não deve ser  

limitado à doença e a suas manifestações físicas. Portanto, a família deve  

estar preparada para compreender e oferecer apoio emocional ao ser com  

câncer frente aos conflitos e dificuldades, enfim, às necessidades de  

cuidado”. (SENA et al., 2011, p.775).

A fé, discutida em 4 dos 12 artigos como espiritualidade, junta-se à categoria rede  de apoio que aparece em 5 de 12 artigos como forma de suporte para auxiliar o  familiar cuidador a lidar com essa situação. Nos artigos estudados observou-se que  ambos os pontos podem gerar uma considerável ajuda e subsídio emocional para os  familiares cuidadores que vivenciam de forma inesperada tal experiência.

“A fé, para as famílias, tem um importante papel no equilíbrio emocional e  

na aceitação da doença, proporcionando força para continuar lutando. Na  

busca pelo significado espiritual, muitos familiares creem na morte como  

vontade de Deus e passagem para uma nova vida. Pensar assim traz  

conformação e ajuda a suportar as incertezas quanto à recuperação da  

criança”. (DUARTE; ZANINI; NEDEL, 2012, p.116).

“Os cuidadores buscam um sentido para a sua dor e a da criança. O sofrimento  advindo do câncer coloca as famílias no limite da vida e essa experiência conecta-se  a espiritualidade, numa tentativa de extrair significado para seu sofrimento” (AMADOR, 2013, p.546). Tanto a religiosidade quanto a rede de apoio constituída  pela própria família, e a atenção dada por terceiros como: vizinhos e amigos,  influenciam positivamente para a reabilitação do paciente e do próprio cuidador, pois  estes sentem-se acolhidos e assistidos para qualquer eventualidade vinda pela  doença. “A rede de apoio formada pelas famílias contribui para superar os  obstáculos vivenciados no cotidiano da hospitalização de uma criança com câncer”  (DUARTE; ZANINI; NEDEL, 2012, p.116).

“A relação familiar não ocorre apenas através de vínculos integrativos. Em  

muitas famílias, o adoecer de um membro pode gerar desadaptações,  

assim o envolvimento não acontece na mesma dimensão para todos, e o  

estabelecimento dos vínculos pode não ser homogêneo. Quando um  

integrante da família fica doente, todos os outros são afetados, o que com  

frequência gera tensão, estresse e fadiga dentro do contexto familiar,  

principalmente entre aqueles responsáveis pela realização dos cuidados”.

(DI PRIMIO et al., 2010, p.341).

Socialmente muito se ouve falar sobre família e a importância desta na vida de  qualquer indivíduo, sem sombra de dúvidas podemos observar que é no núcleo  familiar que o sujeito se desenvolve e para uma criança a família é a base para o  seu crescimento. Segundo Gomes et al., (2012, p.807) “a família é o sistema mais  importante que a criança pertence e as relações familiares são cruciais para  adequado enfrentamento da doença e do tratamento prolongado”. “Ao identificar o  papel dos pais como central no tratamento pediátrico, torna-se fundamental com preender as implicações desta função na construção social da infância” (KOHLSDORF; JUNIOR, 2012, p.125).

“Destaca-se que o estilo parental adequado tem sido considerado como  

uma variável de proteção à criança com câncer, aumentando a  

probabilidade de emissão de comportamentos colaborativos durante a  

realização de procedimentos invasivos, seja pela segurança/apoio que o  

cuidador proporciona nesse momento, seja pela longa história de  

modelação. Tais resultados poderiam ser investigados em estudos  

longitudinais que incluíssem pais com estilos autoritativos, comparando-se  

comportamentos emitidos durante a realização do procedimento invasivo  

em outros contextos não relacionados a cuidados com a saúde”

(BENCHAYA; FERREIRA; BRASILIENSE, 2014, p.21).

Podemos notar na citação acima que os autores relatam sobre possíveis  comportamentos e técnicas comportamentais que possivelmente possam oferecer  alternativas para enfrentar o sofrimento e os procedimentos invasivos ocasionados  pelo câncer. Dessa forma, é de suma importância levarmos em consideração  técnicas cabíveis para o enfrentamento do sofrimento amenizando a dor.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode ser constatado que nas pesquisas estudadas o número de artigos abordando sobre câncer infantil ainda é inexpressivo se compararmos com as pesquisas sobre  a incidência orgânica do câncer, porém esta pesquisa diferencia-se, pois além de  abordar questões sobre o câncer na infância, fala como este acomete os cuidadores  responsáveis pela criança enferma, a mesma tem como intuito identificar o  sofrimento latente nos familiares que cuidam da criança acometida com a doença de  câncer.  

Os artigos científicos pesquisados mostram que os fatores visíveis nos cuidadores  mais próximos da criança com câncer são: o estresse, a culpa, e a dor. O estudo  mostrou a frequência com que a rotina desses cuidadores são afetadas,  evidenciando que as causas que tem maior prevalência para a contribuição dessa  ruptura estão ligados à desestruturação familiar e a ruptura dos referencias  causados pela nova dinâmica vivenciada pela família em consequência do câncer.  Não se sabe ao certo quem de fato é o cuidador mais presente nos cuidados da  criança, mas observa-se que essa doença quando acomete crianças os pais ou  responsáveis mais próximos são aqueles que vivenciam com maior intensidade o  percurso da doença na criança.

Dentre os 12 artigos analisados, 5 estudos apresentam de forma implícita ou  explícita a rede de apoio, seja ela familiar ou social e a espiritualidade como objetivo  principal capaz de amenizar e dar suporte aos cuidadores, mas não observou, se de  fato os cuidadores eram assistidos por meio desses fatores constatados. Entende-se  que a atenção à criança é sem dúvida crucial, deve-se voltar o olhar para aqueles  que sofrem, sobretudo guardam esse sofrimento tendo em vista a doação de si para  com o próximo. Através desse apoio pode-se gerar uma atenção maior para aqueles  que cuidam, mas que também precisam de cuidados para darem conta da carga de  sofrimento, dessa forma conclui-se que o sofrimento psíquico acontece de fato  naquele que se doa aos cuidados da criança enferma, por isso é necessário se  pensar na aplicabilidade de um cuidado diário para os cuidadores que se implicam  no processo saúde/doença da criança com câncer.

Espera-se que os resultados deste estudo possam contribuir para que os  profissionais da Saúde venham repensar nos cuidados adequados para com os  cuidadores de crianças com câncer e para que os familiares acometidos pela  doença de câncer em sua família possam entender os fatores que o câncer infantil  pode ocasionar a desestrutura emocional que o mesmo pode gerar e mostrar para  este público que existem formas de se fortalecer em meio ao processo adoecedor  causado pelo câncer.  

É válido lembrar que o proposto estudo foi pensado a partir de uma visão subjetiva e  particular do próprio pesquisador, que com muita ânsia de compreender tamanha  dimensão do problema colocou-se a pesquisar tais revisões sobre o tema para gerar  ainda mais mobilização na qualidade da vida psíquica daqueles que doam suas  vidas em prol de quem se ama. Contudo, pude perceber que esse estudo foi válido  para que próximas pesquisas se aprofundem na elaboração de maneiras viáveis que  possam dar suporte para esses cuidadores.

O estudo quis abarcar dois assuntos graves, o sofrimento psíquico e o câncer, não  para espalhar uma leitura angustiante, mas para mostrar que quando o câncer  acomete uma criança gera um sofrimento não só na criança doente, mas naquele  que se coloca a frente dos cuidados da mesma, podemos notar também neste  estudo alguns fatores ocasionados por todo esse sofrimento, contudo não podemos  deixar de lembrar que o sofrimento psíquico é algo singular e devemos dar total  atenção para o sujeito que sem querer se sente vulnerável em decorrência da dor do  outro.

As pesquisas existentes mostram alguns danos causados pelo câncer e  principalmente relatam sobre os tipos de câncer e suas reações fisiológicas. Em  suma, todos esses aspectos são importantes, mas o fato é que aquele sofrimento  que é particular de cada sujeito imerso nesse contexto de doença se perde ao passo  que acaba gerando essa gama de fatores que podem devastar a saúde psíquica do  cuidador. Por isso esta pesquisa viabiliza cuidar com antecedência, antes que o  estresse, a dor e a culpa adoeçam o sujeito cuidador.

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NOTAS

Thais Castelo Araújo de Oliveira: Psicóloga graduada pela Universidade Estácio do Ceará. (UEC)

Endereço para correspondência

Thais Castelo Araújo de  

E-mail: thaiscastelo@yahoo.com.br

Recebido em: 08/12/2015

Aprovado em: 27/12/2016

Revista IGT na Rede, v. 13, nº 25, 2016, p.203-217 DOI 10.5281/zenodo.15054406

Disponível em http://www.igt.psc.br/ojs ISSN: 1807-2526