ARTIGO

Atendimento ao Cidadão-Trabalhador em uma Instituição de  Ciência e Tecnologia em Saúde: o desafio da gestão do  trabalho de Ouvidoria Interna

Citizen-Worker Care at an Institution of Science and Technology in Health:  the challenge of managing the work of the Internal Ombudsman

Mara Dias Pereira

RESUMO

O presente estudo analisa do ponto de vista da gestão do trabalho, as  demandas dos profissionais de uma Instituição de Ciência, Tecnologia e  Inovação em Saúde (CT&I/S), que chegam às suas diferentes instâncias  

estruturais, e propõe um modelo de gestão, com as principais estratégias, para  a criação de uma Ouvidoria Interna que complemente o formato democrático e  participativo gerencial assumido, e se consolide em seu papel como facilitadora  

da articulação e integração entre as instâncias estruturais, visando à melhoria  do bem-estar no ambiente de trabalho e dos níveis de satisfação do cidadão trabalhador em uma instituição de CT&I/S. Entendendo-se que este Canal não  só é uma qualificação do modelo de gestão adotado, mas, principalmente, é  indutor e harmonizador de inovações, no contexto dinâmico da ciência e do  desenvolvimento tecnológico em saúde e, conseqüente, contribuição para o  Sistema Nacional de CT&I/S.

Palavras-chave: Ouvidoria (Interna e Externa), gestão do trabalho, democracia  e processo participativo, configuração organizacional, inovação.

ABSTRACT

The present study examines the point of view of management of labor, the  demands of the professionals in a Institution for Science, Technology and  Innovation in Health (ST&I/H), that arrive at their different structural instances,  and proposes a management model with key strategies for creating an Internal  Ombudsman format that complements the democratic and participatory  management assumed, and will consolidate in its role as facilitator of  coordination and integration between the structural instances, aimed to improve  the well-being in the workplace and the levels of satisfaction of the citizen worker in an institution of ST&I/H. It being understood that this channel is not  only a qualification model management adopted, but mainly is inductor and  harmonist innovations in the dynamic context of the development of science  and technological health and, consequently, contribute to the National System  of ST&I/H.  

Keywords: Ombudsman (Internal and External), Work Management,  democracy and participatory process, organizational configuration, innovation.

1. Introdução

O mundo do trabalho, assim como o mundo da produção, sofreu  

conseqüências com as mudanças ocorridas internacionalmente. Em especial,  as ocorridas a partir da década de 70, como o abalo do sistema capitalista, o  desenvolvimento da tecnologia de informação e comunicação (TIC) e a  globalização, através dos processos de racionalização e reestruturação  assumidos pelas organizações. Dentre as conseqüências destacam-se a  ampliação do desemprego, a terceirização das atividades, o aumento da  precarização dos empregos e do contingente de trabalhadores excluídos do  mercado formal (Deluiz, 2000). Essas transformações afetaram também o setor  Saúde, que mais recentemente foi induzido a buscar eficiência, eficácia e  efetividade dentro da lógica da competitividade associada às necessidades da  sociedade.

O Brasil sofreu, no tempo e no espaço, as mesmas influências das mudanças  históricas pelas quais passou o mundo, e as influências da sua história. A partir  de 1964, com a instalação do Regime Militar, as organizações foram  submetidas ao silêncio e, ao longo da década de 70, surgem os primeiros  sinais de resistência de setores da sociedade, na esteira do aumento das  demandas sociais, através de lutas urbanas e, de movimentos sindicais.  Segundo Bresser-Pereira (2006): “a crise política do regime militar, que se  iniciou já em meados dos anos 70, agravou ainda mais a situação da  administração pública, na medida em que a burocracia estatal foi identificada  como o sistema autoritário em pleno processo de degeneração” (p. 245).

O processo de abertura democrática do País culmina com a promulgação da  nova Constituição Federal em 1988, chamada Constituição-Cidadã que, além  dos quatro princípios tradicionais (de legalidade, da impessoalidade, da  moralidade e da publicidade), acrescentou um quinto, o princípio da eficiência  (todos norteadores da produção legislativa, execução administrativa e da  interpretação judiciária). Estabeleceu, ainda, a defesa do consumidor como  obrigação do Estado e a forma de participação do usuário na administração  pública direta e indireta, (BRASIL, 2001).

O setor Saúde no Brasil também passou por transformações, que seguiu  tardiamente, segundo Gadelha (2003):

[...] a tendência dos países desenvolvidos, se bem que  

em condições históricas e institucionais – e, portanto,  

estruturais – bastante específicas. A lógica empresarial  

capitalista penetra de forma arrebatadora todos os  

segmentos produtivos, envolvendo tanto as indústrias que  

já operavam tradicionalmente nessas bases [...] quanto  

segmentos produtivos que possuíam formas de  

organização em que era possível verificar a convivência  

de lógicas empresariais com outras que dela se  

afastavam [...].(p.522)

A Instituição alvo do presente estudo, sofreu ao longo de sua existência os  

efeitos de todas essas transformações macroestruturais ocorridas no mundo e  no Brasil, dentro de suas características de um complexo organizacional  abrangente e diversificado de atuação no âmbito da CT&I/S, mudanças não só restritas àquelas observadas no âmbito institucional, também aquelas que  afetaram o mundo científico e tecnológico, e de acordo com Hamilton & Britto  (2000), esse mundo se caracteriza sendo complexo e vinculado às estruturas  sociais intrincadas afetadas por padrões cognitivos e sistemas de valores  subjacente que, consequentemente, tem-se a reestruturação interna e a  redefinição de objetivos, base das atividades científicas.

Esse processo de transformação marcou o final da década de 80, dentro do  qual pode-se destacar a política de C&T adotada no País que, de acordo com  Guimarães (2002), trouxe vários aspectos novos para as instituições de  pesquisa, considerados difíceis de serem gerenciados e incorporados, que se  apresentaram como geradores de transtorno e indutores de mudanças, como  as reduções orçamentárias e os questionamentos social sobre os resultados e  benefícios decorridos dos investimentos realizados.

Assim, a Instituição em estudo está inserida no contexto da saúde para a qual  gera conhecimento científico e desenvolvimento tecnológico, desde a pesquisa  básica à pesquisa aplicada, como base para o desenvolvimento das demais  atividades em CT&I/S, visando à inovação incremental e radical de produtos,  insumos e serviços vinculados à Saúde, a serem disponibilizados à população  brasileira a partir de produção própria ou por outras instituições públicas ou privadas voltadas para sistema nacional de CT&I/S do País, dentro do  complexo industrial da saúde, no qual se inclui a participação do Sistema Único  de Saúde (SUS) com a prestação de seus serviços à sociedade brasileira, conforme Quental & Gadelha (2000); Gadelha (2002 e 2003); Hamilton & Britto (2000).

A Instituição adota hoje um modelo organizacional aprovado por Decreto, de  princípio democrático e participativo. Diz-se de princípio democrático porque  tem a eleição periódica como mecanismo de escolha de diversas funções  gerenciais, inclusive para dirigentes das diversas unidades técnicas e para  Presidente, realizada através de voto secreto (sufrágio universal e igual) e pelo  conjunto dos servidores (processo não obrigatório), participativo, porque são  incorporados diversos órgãos colegiados de tomada de decisão à estrutura  organizacional, com membros representativos do seu conjunto de servidores,  eleitos no todo ou em parte, e com a participação garantida de um  representante sindical.

Neste modelo de gestão, o cidadão-trabalhador é incluído como elemento  chave nas discussões das diversas temáticas e na construção e  desenvolvimento institucional, como exemplo, a realização de congressos  internos, com eleição direta de delegados, possibilita aos profissionais o  aprofundamento de idéias que, uma vez consolidadas, são transformadas em  Projeto Institucional. Este processo representa estratégia de alinhamento  funcional ao projeto de desenvolvimento institucional, com reflexo nas atividades finalísticas e que pode se traduzir em inovações tecnológicas para a  saúde.

O conjunto de trabalhadores, através desse processo participativo, em 2002,  aprovou a implantação da Ouvidoria como canal de comunicação entre a  Instituição e o cidadão-usuário, com a responsabilidade de estreitar a relação  entre sua missão e objetivos e os interesses da sociedade. Essa aproximação da sociedade à vida da Instituição tem significado na medida em que o cidadão  participa de forma mais ativa do controle qualitativo e quantitativo dos produtos  e serviços prestados e na observação dos resultados institucionais, ou seja, o  cidadão induz à melhoria dos níveis de desempenho do complexo da  Instituição e de sua participação dentro do sistema nacional de CT&I/S (Figura  1).

Neste cenário, o cidadão-trabalhador atua como mola propulsora dos rumos da  Instituição, tanto enviando contribuições, levadas em consideração nas  reflexões e discussões promovidas nas diversas instâncias participativas  consolidadas em resoluções finais, como assumindo a responsabilidade e o compromisso de implementá-las.

Este mesmo cidadão-trabalhador, no seu dia-a-dia de trabalho, além das  exigências internas processuais e estruturais, passa a ter que considerar os  interesses e expectativas da sociedade representado pelo olhar de cada  cidadão que recorre à Ouvidoria através de suas manifestações registradas, e  responde ainda pela qualidade dos produtos e serviços e pela satisfação do  cidadão-usuário.

Todo esse compromisso e responsabilidade a que está exposto o cidadão trabalhador, acrescido dos conflitos e questões que emergem das relações  inerentes ao processo de trabalho, algumas próprias da configuração híbrida  assumida de Burocrática Profissional Adhocrática de Mintzberg (1995), são  razões para que sinta necessidade de mais uma instância[1], além das hoje  existentes, para dar conta de suas insatisfações e demandas, individuais e  coletivas, envolvendo reclamações, sugestões, elogios, denúncias, que não  são, em sua maioria, rotineiras, mas sim exceções de caráter específico e  pontual, surgidas desse novo contexto. Assim, poder expressar os seus  direitos, necessidades e insatisfações como um cidadão-trabalhador nessa  nova instância, como a Ouvidoria Interna (figura 1).  

FIGURA 1 – Demandas de Ouvidoria, Interna e Externa, o desenvolvimento  organizacional e o Sistema Nacional de CT&I/S.

CIDADÃO

Público Interno

∙ cidadão-trabalhador Ouvidoria Interna

Público Externo

∙ cidadão-usuário

SISTEMA DE OUVIDORIA

Ouvidoria Externa

DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Modelo de Gestão

Instâncias verticais,  

horizontais e colegiadas.

C E ú s p t u r l a a t  

Gestão do Trabalho

. relações interpessoais;

. ambiente de trabalho;

. satisfação, motivação e bem-estar; . criatividade e produtividade; . outras conseqüências.

Processos – Produtos - Serviços . eficiência, eficácia e efetividade; . integração das atividades e das  inovações implementadas; . imagem organizacional;

. outras conseqüências.

 é  g  i  c  a

Complexo Industrial da Saúde (apresentado na Figura 3).

Sistema Nacional de CT&I/S (apresentado na Figura 2).

 Fonte: Elaboração própria

A criação de uma Ouvidoria Interna para a Instituição foi aprovada em 2005,  com o objetivo de receber, examinar e encaminhar às áreas competentes, as  manifestações dos profissionais relativas aos possíveis conflitos enfrentados  

nas relações de trabalho, propondo a adoção de medidas que contribuam para  a elevação do grau de satisfação do trabalhador. No âmbito da gestão do  trabalho, esta criação representa a inclusão de uma inovação poderosa para a  melhoria do nível de motivação e do bem-estar interno.

Esta deliberação demonstra, por um lado, a existência de demandas latentes  dos cidadãos-trabalhadores que, na sua maioria, estão reprimidas, em função  da falta de um fluxo transparente de encaminhamento, de regulamentação e de  clareza dos papéis e responsabilidades de cada uma das instâncias. Por outro  lado, existem demandas encaminhadas pelos profissionais para determinada  instância que pode não ser a mais adequada para a atenção, ou aquelas que  são encaminhadas por um trabalhador para diversas instâncias ao mesmo  tempo e que podem receber resoluções diversas ou mesmo contraditórias, ou  ainda, demandas idênticas de diversos profissionais recebendo respostas  diferentes para o mesmo assunto.

Assim, há pouca articulação e integração entre as instâncias que lidam com  questões emanadas dos cidadãos-trabalhadores ocasionando não só  superposição de trabalho entre elas, como interpretações e encaminhamentos  contraditórios, lentidão no atendimento, eliminação de etapas anteriores de  solução, dentre outros problemas.

A manifestação do cidadão-trabalhador pode se transformar numa  oportunidade de melhoria a partir da aceitação e conscientização pelos  gestores da linha intermediária e pela cúpula estratégica, tanto para corrigir  

erros cometidos pela Instituição quanto para prevenir futuras manifestações e  garantir a eficiência da administração pública, principalmente, a partir da  identificação de: pontos críticos e entraves organizacionais; decisões ou  inovações implantadas, que afetam outras áreas, como “onda de propagação”, sem a adequada articulação prévia; processos de trabalho necessários e não  realizados; e problemas nas relações interpessoais em grupos de trabalho.

Como conseqüência, pode-se chegar a algumas soluções que impliquem  mudanças, tanto no ambiente de trabalho e/ou na cultura organizacional, como  nos processos, produtos e serviços oferecidos pela organização. Esses  conhecimentos e tecnologias novos produzidos e desenvolvidos, a partir das  informações oferecidas pelos trabalhadores e que circulam na Ouvidoria  Interna, devem representar, na ponta final do processo de gestão,  contribuições para o sistema nacional de inovação brasileiro.

O conjunto de demandas dos trabalhadores é, assim, fonte de informação e  aprendizado e parte integrante da inteligência corporativa, que deve ter um  destaque fundamental em uma instituição com a configuração de modelo  organizacional de Burocracia Profissional Adhocrática de Mintzberg (1995),  como é o caso da Instituição estudada.

A Instituição tem suas áreas finalísticas inter-relacionadas, com grande  interface entre elas, cuja dinâmica caracteriza o complexo da Instituição.  Assim, uma decisão ou uma inovação implantada numa área pode acarretar,  como conseqüência, um efeito em cadeia, como “onda de propagação”, sobre  outras áreas. Esta implantação, se não for tratada pró-ativamente e  preventivamente junto às áreas afetadas, pode transformar-se em  manifestações dos cidadãos-trabalhadores.

A ouvidoria interna significando, também, o acúmulo de conhecimento  organizacional, leva a uma reflexão sobre os processos de trabalho, que geram  mudanças e novos procedimentos, produtos e serviços, no sentido tanto da  correção quanto da prevenção das demandas do público interno.

Este é mais um fator que interfere nos níveis de satisfação, de motivação e de  bem-estar no ambiente de trabalho e estão intimamente relacionados ao  processo de criatividade, individual ou coletivo e, conseqüentemente, à  predisposição para a inovação inerente ao trabalho e a melhoria da produtividade.

Essa ouvidoria irá lidar com as demandas oriundas do público interno e a  interface com outras instâncias existentes de atendimento, conforme já  considerado, trabalhando de modo que essas instâncias se articulem para a  solução dessas manifestações.

Dessa forma, a integração e a articulação entre as diversas instâncias  estruturais que recebem e devem dar atenção à demanda apresentada pelo  cidadão-trabalhador no processo de trabalho dão maior eficiência, eficácia e  efetividade nessa resposta. A proposta é que essa integração e essa  articulação sejam garantidas através da criação da ouvidoria interna.

Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo geral analisar, do ponto de  vista da gestão do trabalho, as demandas dos cidadãos-trabalhadores da  Instituição que chegam às diferentes instâncias, no sentido de propor um  modelo de gestão de ouvidoria interna, em uma instituição de CT&I/S.  Especificamente pretende-se: (1) apresentar os principais conceitos que  

envolvem uma Ombudsman/Ouvidoria e as diferenças existentes entre as suas  funções e as dos demais serviços de atendimento; (2) mapear a natureza das  demandas apresentadas pelos profissionais, relacionadas ao processo de  trabalho, que chegam à ouvidoria e aos órgãos de recursos humanos da  Instituição e aquelas que chegam ao órgão sindical, assim como o tempo  utilizado para a resposta de solução; (3) identificar a percepção dos dirigentes  das instâncias existentes (ouvidoria e órgãos de recursos humanos) e do órgão  sindical, quanto às interfaces no atendimento a essas demandas e as possíveis  dificuldades e facilidades para implementar um modelo de gestão que as  integre e harmonize em uma ouvidoria interna; (4) descrever padrões  identificados de integração e harmonização interna entre as diversas instâncias  de atendimento à demanda do cidadão-trabalhador no processo de trabalho em  uma empresa bem sucedida em ouvidoria interna; e (5) propor um modelo de  gestão em ouvidoria interna.

2. Metodologia.

Para o presente estudo foi realizada pesquisa documental em base  bibliográfica e consulta a documentos existentes na Instituição, relativa à  Ouvidoria, serviços de atendimento e outras instâncias de atenção à demanda  do trabalhador no processo de trabalho; no referencial legal e normatização  existente no serviço público sobre o assunto; e na Instituição, relativa à  aprovação de ouvidoria e relativa às instâncias verticais e colegiadas, do  modelo democrático e participativo, de atenção à manifestação do cidadão trabalhador.

A coleta de dados e informações foi executada a partir das visitas aos locais,  com a realização do respectivo mapeamento das demandas do cidadão trabalhador junto à ouvidoria e ao recursos humanos, ambas da Instituição,  também, junto ao órgão sindical, visando à caracterização da natureza dessas  demandas e do tempo utilizado para a resposta.

A pesquisa descritiva foi realizada através de entrevistas semi-estruturadas, de  identificação das percepções de dirigentes sobre os aspectos que envolvem as  dimensões e a criação e consolidação de uma Ouvidoria Interna, bem como  sobre as relações mantidas com as demais instâncias organizacionais  (verticais, horizontais e colegiadas). Das pessoas entrevistadas, duas são do  quadro de pessoal e uma está relacionada à Instituição, e para a escolha destes entrevistados foram observados os seguintes critérios: serem dirigentes,  atuarem em áreas que, direta ou indiretamente, dão atenção à manifestação do  público interno, e terem participado de instâncias participativas de deliberação  

da Instituição, como o Congresso Interno. Os escolhidos foram: o ouvidor  (externo) e a diretora de recursos humanos (ambos da Instituição) e o diretor  do órgão sindical.

Como quarto entrevistado optou-se pelo Ouvidor Interno de uma Empresa,  como referência externa. Optou-se pela entrevista em função de existir pouca  literatura brasileira sobre o assunto, em especial sobre ouvidoria interna, e  quase nenhuma literatura sobre o assunto dentro da área de Ciência e  Tecnologia (C&T) ou da Saúde, fato que é constatado por diversos autores,  como Vismona (2001) ao falar sobre os ouvidores/ombudsman brasileiros: “em  sua maioria, passaram a exercer esta função sem um preparo técnico prévio;  foram aprendendo, buscando identificar as suas qualidades específicas no dia a-dia. Falta literatura, faltam cursos. Até agora, a base de conhecimento é  empírica” (p.16). A Empresa de referência, que atua no mercado financeiro, foi  a escolhida por ter sido uma das pioneiras no País a instituir uma ouvidoria  interna, e consolidou-se numa experiência bem sucedida e exemplo de  funcionamento, citado por diversos outros órgãos públicos e com  reconhecimento formal, cujos padrões de integração e harmonização internos  considerados se constituíram em importante fonte de conhecimento.

Os conteúdos obtidos no estudo, com suporte da aplicação dos conceitos da  Matriz de Análise SWOT, subsidiaram a análise crítica desses aspectos e  dimensões identificados. A Matriz fornece orientação útil para o planejamento  estratégico e busca diagnosticar as forças (Strenghs) e fraquezas  (Wearknesses) internas, bem como as oportunidades (Opportunities) e  ameaças (Threats). A análise é baseada na presunção de que o administrador  deve identificar e avaliar cuidadosamente as forças e fraquezas da organização  com as oportunidades e ameaças do ambiente externo para formular uma  estratégia que concilie aspectos internos e externos a fim de assegurar o  sucesso organizacional. Desta forma, eliminam-se os pontos fracos onde  existem riscos e ameaças e se fortalecem os pontos fortes que identificam  oportunidades.

Para análise do material identificado foi utilizado como referência, também, os  conceitos que envolvem CT&I/S (Instituição estudada) e sistema financeiro  (Empresa de referência) e as configurações dos formatos organizacionais  definidos por Mintzberg, como também, aqueles conceitos que envolvem uma  Ouvidoria, em especial, a Interna.

3. Revisão do Tema.

3.1 - O ombudsman/ouvidoria.

O primeiro vernáculo que surge na história e é aplicado às funções de uma  Ouvidoria é o termo nórdico ombudsman[2], composto pela fusão da palavra  ombud (“representante”, “procurador”), com o sufixo man (“homem”), cuja  

tradução literal do idioma sueco significa “homem imbuído de missão pública,  intermediário e representante”. O termo de pronuncia proparoxítona (ômb),  assumiu no Brasil a forma paroxítona (búds), conforme o Aurélio (1999).

A idéia de ombudsman, de acordo com a Controladoria-Geral da União (2004),  registra-se pela primeira vez em “202 a.C. na administração do Império Chinês”  (p.4). Temos ainda, na História, outras experiências que poderiam ser  consideradas como antecessoras ao Ombudsman sueco, como "o Vizir do  Faraó” no Egito e “os Olhos e Ouvidos do Rei” no Império Persa. De acordo  com alguns autores, a exemplo de Leite (1975) apud BRAZ (1992), “o  ombudsman teve na Suécia, o marco fundamental a sua origem em 1713,  quando foi criada a Procuradoria Suprema, cuja competência era o de vigiar os  funcionários da monarquia no cumprimento das ordens e leis, atuando como  delegado ou agente do Rei” (p.27).

Em 1809, a Suécia promulga uma nova Constituição, que teve como um dos  objetivos o estabelecimento do equilíbrio entre os poderes do Monarca e o do  Parlamento, sendo o Ombudsman foi um dos instrumentos aplicado em sua  consecução. Dessa forma, ressurge o Ombudsman, que era eleito pelo  Parlamento e tinha o papel de interlocutor entre o Governo e a população,  fortalecendo os direitos dos cidadãos diante do Poder do Estado.

O ombudsman sueco, como paradigma, já está disseminado por diversos  países do mundo e em todos os continentes, em nível nacional ou regional,  local ou setorial (caso do Brasil). Além de existir, também, em âmbito  comunitário, como é o caso da União Européia. Os ombudsman apresentam as  mais diversas configurações, com variações em seus elementos  característicos, influenciados por diferentes motivos, especificidade e cenários.  

A idéia e o desenvolvimento do ombudsman acompanham a evolução dos  direitos humanos e teve como marco principal mundial a proclamação da  Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Instituto surge para o  fortalecimento dos direitos do cidadão diante do poder do Estado.

Neste sentido, destaca-se também, a importância histórica mundial da  influência da relação fornecedor-consumidor dentro do mercado econômico,  principalmente, no contexto da globalização. As empresas assumem um olhar  diferente em relação ao mercado, em especial ao consumidor, cujos interesses  passam a ser considerados em sua gestão administrativa (em especial, no  marketing), garantindo-lhes maior acesso à participação na formulação das  políticas governamentais e nos procedimentos de regulamentação.

No Brasil, além de Ombudsman, utiliza-se também a denominação de Ouvidor.  A primeira é mais empregada pelas empresas privadas e a segunda está mais  ligada à mídia informativa e ao serviço público. Curiosamente, embora o termo  

Ombudsman possa ser empregado no plural – Ombudsmen – não  encontramos uma variante em gênero - Ombudswoman. Optamos, no presente  texto, pelo uso do termo da forma invariável - Ombudsman.  

O conceito colonial de ouvidor, segundo Vismona (2001) “remonta à ideia de  Ouvidor Geral, que tinha por função aplicar a Lei da Metrópole, ou seja, exercia  não uma representação do cidadão diante do órgão público, mas o inverso,  atendia ao titular do poder, reportando o que ocorria na Colônia” (p.11). O  Ouvidor Geral que Controladoria- Geral da União (2004) “surgiu no Brasil Colônia divergia do conceito clássico de ombudsman utilizado na Suécia, isto  é, não representava os cidadãos, mas atendia aos interesses do titular do  poder na aplicação da Lei da Metrópole e reportava ao rei de Portugal o que  ocorria na colônia”, (p.4), tendo como competência julgar os infratores dos  interesses da Justiça, sem direito a interposição de recurso. Este conceito  diverge, também, do empregado atualmente no Brasil.

O emprego do conceito de Ouvidoria, segundo Vismona (2001), “mais próximo  do clássico, de representante do cidadão agindo na defesa dos seus direitos” (p.11), surge no Brasil apenas em 1986, com a instalação da Ouvidoria pela  Prefeitura Municipal de Curitiba/PR. A criação desse Instituto passou a ocorrer  a partir de iniciativas isoladas de ouvidorias regionais, locais ou setoriais, que  apresentam diferenças em seus elementos característicos, pelo fato de no  Brasil não ter sido incluída a previsão de institucionalização do Ombudsman,  próximo ao modelo sueco, na Carta Magna de 1988. A Ouvidoria Parlamentar  como agente público não foi instituída no Brasil, porém, segundo referido autor “a conscientização da cidadania na defesa dos seus direitos é a verdadeira  mola propulsora da Ouvidoria” (p.13).

Em 1998, conforme Brasil (1998a) frente à demanda da sociedade por formas  de controle Estatal, a Emenda Constitucional n° 19 é aprovada, que além dos  princípios tradicionais (de legalidade, de impessoalidade, de moralidade e de  

publicidade), acrescenta-se o princípio da eficiência nos serviços públicos,  determinando que lei discipline as formas de participação do usuário na  Administração Pública. A partir daí ocorre um impulso na evolução das  relações de consumo, e o cliente aprende a defender seus direitos e conhecer  seus deveres frente aos setores econômicos, que foi reforçado com a criação  da edição do Código de Defesa do Consumidor (CDC). O instituto de  Ouvidoria/Ombudsman começa a se fortalecer no País.

A gestão em CT&I/S, com a adoção de modernas tecnologias na busca de  instituições eficientes, encontra na Ouvidoria a possibilidade de promover uma maior visibilidade político-administrativa, a modernização gerencial, a  valorização dos cidadãos-trabalhadores e a satisfação do usuário e da  sociedade, através do direito ao controle social adequado dos serviços  públicos.

3.2 - Ombudsman/ouvidoria e os serviços de atendimento.

Na relação organização - cliente, a partir da globalização, o atendimento  passou a ser alvo de atenção das empresas por se constituir em um fator  competitivo do mercado, principalmente por ocasião da aprovação do CDC,  pois tinham os clientes como importante fonte de informação para a melhoria  da qualidade dos seus produtos e serviços, incluindo segurança, vigilância  sanitária, e outros aspectos de interesse dos clientes.

Inicialmente, a valorização dos clientes traduziu-se em atendimento como  

estratégia de marketing, que em geral, “maquiavam” as demandas através do  que chamavam de “bom atendimento”, apenas minimizando os conflitos.  Porém, com a competitividade mais acirrada no mercado, as organizações  passaram a dar mais atenção à prestação de serviços de atendimento aos  clientes, realmente, entendendo que as demandas dos clientes são valiosas  contribuições para o aperfeiçoamento e o desenvolvimento de seus produtos  ou serviços.

Na busca da melhoria do relacionamento com dos diversos públicos e da  definição de ações estratégicas nas organizações, o gerenciamento e o uso da  informação tornou-se fundamental para a sobrevivência das empresas. O aumento da demanda por informações por parte da sociedade junto às  organizações, em especial as públicas após a redemocratização do País, levou à criação de instrumentos que possibilitassem a organização e integração  dessa demanda, desde o recebimento, sistematização e distribuição, até o  controle do atendimento e avaliação da satisfação do usuário pelo serviço (Duarte, 2004).

As organizações desenvolveram e aperfeiçoaram esses serviços, como um  mecanismo alternativo e eficiente de controle de qualidade e solução de  conflitos, disponibilizando vários meios de comunicação como, telefone, carta,  Internet, endereço eletrônico, etc., sempre procurando dar mais rapidez de  retorno, principalmente com o uso das TIC.

Atualmente, os diversos tipos de serviços criados para o acolhimento ao cliente  como, o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), também denominado de  Contact Center e Call Center, Fale Conosco e “0800”, tipicamente, para o  exercício de atividades que possibilitam e facilitam o relacionamento com a  empresa, são incorporados à infra-estrutura organizacional com o objetivo de  prestar serviços de atendimento ou da pós-venda. Essas organizações  preocupam-se com o tratamento e retorno aos questionamentos,  principalmente, visando tanto à manutenção quanto ao acréscimo do quadro de  clientes existente, através da conquista dos clientes do concorrente ou em  potencial, tendo como foco o lucro.

Esses serviços têm como uma das principais características a impessoalidade,  como órgãos de execução, com tomada de decisão apenas em nível do  gerente de área, sem interferência no processo decisório interno da  organização. Tratam especificamente, de questões ou demandas mais simples, pontuais e rotineiras relacionadas aos produtos ou serviços, como defeitos em  produtos, deficiências em serviços, prazos de garantia, etc.

A informação é a principal matéria-prima de trabalho para a criação e  manutenção do bom relacionamento. Em geral, adotam procedimentos de  trabalho previamente estabelecidos, pois estão pautados em situações  previstas a partir de experiências e aprendizado consolidados, possibilitando o  acúmulo de conhecimento que pode ser facilmente padronizado e codificado e,  conseqüentemente, reproduzido através de TIC. Assim, são áreas que  dependem de investimento em recursos tecnológicos e as organizações que  usam maciçamente estes serviços têm grande preocupação com a utilização  das inovações tecnológicas e com a sua integração e interligação, pois  reduzem custos e melhoram a eficiência no atendimento.

Os serviços de atendimento são utilizados tanto pelas organizações privadas  quanto pelas públicas, embora nas privadas ainda se encontrem muito  vinculados ao marketing e de interesse dos órgãos responsáveis pela  produção. Nas públicas, estes serviços não são tão disseminados e tem o  Senado Federal como o primeiro órgão legislativo, em 1997, a criar um modelo  de comunicação social gratuito, hoje denominado de “Alô Senado”, que opera  como uma Central de Relacionamento com o Cidadão, na atenção à demanda  de informações à população brasileira relacionada ao processo legislativo e às  principais discussões políticas, sendo um canal de comunicação gratuito entre  o cidadão, o Senado e os senadores.

As organizações disponibilizam outro tipo de serviço de atenção à demanda do  seu público que são as ouvidorias, internas ou externas. Estas devem  preocupar-se com a qualidade e interpretação das manifestações/solicitações,  cujo atendimento é realizado, em geral, de forma personalizada sobre questões  pontuais. Este Canal utiliza, predominantemente, o conhecimento tácito  relacionado aos aspectos que envolvem a manifestação e o contexto  organizacional para que possa cobrar tempestividade e qualidade de quem tem  a responsabilidade de responder.

A Ouvidoria tem um papel pedagógico, de orientação do respectivo público alvo  (público externo – Ouvidoria Externa, ou público interno – Ouvidoria Interna), a  responsabilidade de emitir relatórios gerenciais para o núcleo estratégico, a  partir da visão sistêmica apreendida das manifestações, contendo informações  que subsidiem a tomada de decisões estratégicas da organização, cujos efeitos  podem implicar em inovações dos processos, produtos e serviços.

As principais características apresentadas no Quadro 1 marcam a diferença  entre SAC e Ouvidoria.

QUADRO 1 - Principais características que marcam a diferença entre SAC e  Ouvidoria.

SAC

OUVIDORIA

∙ atende à solicitação;

∙ interpreta a solicitação;

∙ processo de trabalho preestabelecido

∙ processo de trabalho flexível;

(scripts);

∙ atendimento despersonalizado;

∙ atendimento personalizado;

∙ limita-se ao recebimento e registro da solicitação;

∙ atua na mediação de conflitos;

∙ dados estatísticos dirigidos à área comercial para conhecimento.

∙ informações estatísticas dirigidas à alta administração para mudanças nos processos gerenciais.

 

 

Fonte: Oliveira (2006, slide 19).

3.3 - Ouvidoria pública e privada.

O instituto de Ouvidoria/Ombudsman pode ser encarado diferentemente nas  empresas públicas e privadas. Nestas é criado como um serviço oferecido aos  clientes para receber críticas, sugestões, reclamações e elogios referentes ao  desempenho dos funcionários ou quanto à estrutura e funcionamento da  organização ou aos produtos e serviços prestados, com a visão econômica de  mercado. Assim, seria possível obter, segundo Vismona (2001), “uma presença  mais satisfatória e diferenciada junto ao seu mercado, aperfeiçoando a  qualidade de seus produtos e serviços” (p.11).

No mercado econômico, as empresas privadas, não monopolistas, estão  sujeitas à competitividade e níveis de exigência cada vez maiores. Estas  empresas são desafiadas a disputar o mercado para manter o consumidor fiel  aos seus produtos ou serviços e à marca da empresa e, além disso, conquistar  o consumidor em potencial. Esta é a realidade daquelas que querem sobreviver  no mercado caracterizado, principalmente, por uma cultura orientada para o cliente. A Ouvidoria/Ombudsman, nesse cenário, é criada para conquistar o  cliente, através do diferencial que a distingue no mercado em que atua, e  aumentar as vantagens financeiras.

O cliente, que pode ser interno ou externo, é entendido como aquele que é  consumidor de fato ou em potencial de seus produtos ou serviços. Sua  satisfação é prioridade para o marketing organizacional, na preservação do  mercado econômico, visando, principalmente, o lucro.

Assim, as empresas privadas têm os ouvidores/ombudsman (externo e  interno), tratados separadamente. Embora, voltados para o cliente e tendo  como objetivo o lucro, diversas questões ficam no ar, como: As empresas  privadas atuam da forma adequada nas atividades de Ouvidoria e de Serviço  de Atendimento ao Cliente? Fazem distinção entre essas atividades? Quando  as empresas privadas enfrentam pouca competitividade ou nenhuma (mercado  monopolista), como encaram a cultura orientada para o cliente e as atividades  de Ombudsman?

Na organização pública, o instituto de Ouvidoria é criado para atender, interna  e externamente, não só aos “utilizadores do serviço público”, sendo mais  abrangente, pois engloba qualquer cidadão que queira se comunicar com o  órgão.

A Ouvidoria é instituída também, na estrutura organizacional do serviço público,  que tem como missão a interlocução entre o cidadão e o Poder Público,  representando-o em seus direitos e contribuindo para a melhoria dos produtos  e serviços prestados. Opera como canal de comunicação, e seu mediador e  responsável é denominado de Ouvidor. A sua institucionalização Vismona,  (2001), “é movida pela necessidade de atender ao cidadão e aperfeiçoar os  serviços e produtos, mas também representa uma inequívoca consciência da  cidadania, que cada vez mais exige respeito e participação” (p.14-15). A  Ouvidoria assume assim, uma função estratégica no processo de  democratização dos serviços públicos.

Na operacionalização de suas atividades, a Ouvidoria pública acolhe e dá  tratamento à demanda do cidadão, no que se refere aos (às): (1) reclamações  decorrentes da administração negligenciada; (2) sugestões na busca da  melhoria dos produtos oferecidos e da atuação nos serviços prestados; (3)  elogios às boas práticas instituídas no serviço público; e (4) denúncias  relacionadas aos abusos cometidos no exercício das funções da máquina  administrativa pública.

3.4 - Ouvidoria interna e externa.

As ouvidorias, interna e externa, partem da mesma premissa e têm foco na  mesma missão, porém atuam isoladamente e especificamente em função das  características do público alvo e das respectivas situações encontradas. A  Ouvidoria Externa é instituída como canal direto de comunicação entre o cliente  (empresa privada) ou o cidadão usuário (empresa pública) e a organização,  para registrar e dar tratamento às manifestações de reclamação, denúncia,  elogio e sugestão relacionadas aos produtos e serviços prestados. A ouvidoria  interna[3]pode ser instituída como canal direto de comunicação entre o conjunto  de profissionais que trabalham na organização e a cúpula estratégica, com  atuação similar à ouvidoria externa.

A ouvidoria interna tem papel fundamental no(a): (1) orientação aos cidadãos trabalhadores para a compreensão de seus direitos e do melhor caminho para  garanti-los; (2) defesa das reivindicações relacionadas à melhoria do processo  de trabalho; (3) controle preventivo e corretivo de arbitrariedades ou de  exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função nos serviços  públicos, de problemas interpessoais ou de abuso de poder das chefias, e de  tratamento em relação aos seus superiores, subordinados e pares; e (4)  disseminação e clareza da missão, cultura, metas e objetivos.  

Constitui-se assim, num órgão estratégico, poderoso instrumento integrador  das áreas da organização e indutor das transformações internas, favorecendo  mudanças e ajustes em suas atividades e processos, em sintonia com as  demandas da sociedade, num caminho efetivo pela busca da qualidade, da  transparência e da cidadania.

3.5 - Ouvidoria interna e os formatos organizacionais.

Uma ouvidoria interna pode ser influenciada em suas diversas dimensões,  

como na natureza da demanda, na operacionalização, na formação da equipe  de trabalho, pelo tipo de configuração predominante na organização onde está  instituída, em função dos diversos aspectos analisados por Mintzberg (1995)  nas cinco configurações básicas de um modelo organizacional[4]: Estrutura  Simples, Burocracia Mecanizada, Burocracia Profissional, Forma  

Divisionalizada e Adhocracia, com as principais características apresentadas  no Quadro 2.

QUADRO 2: Principais características de cada configuração.

PERFIL

ESTRUTU RA  

SIMPLES

BUROCRACI A  

MECANIZAD A

BUROCRACI A  

PROFISSION AL

FORMA  

DIVISIONALIZA DA

ADHOCRACIA

Mecanism o de  

coordenação

supervisão  direta

padronização  dos processos  de trabalho

padronização  de habilidades

padronização de resultados

ajustamento  mútuo

Compone nte chave

cúpula  

estratégica

tecnoestrutura

núcleo  

operacional

linha  

intermediária

assessoria de  apoio

Parâmetros

Delineado res

por tarefa

(meios),  

especializaç ão da tarefa.

pela  

formalização do comportamento; agrupamento  por função,  

especialização  do trabalho – regras e  

normas

treinamento - por  

competência.

por mercado; . sistema de  

controle do  

desempenho; .  

descentralizaçã o vertical  

limitada.

. instrumento de interligação;

. estrutura  

orgânica;

. especialização do trabalho

.  

descentralizaç ão seletiva  

horizontal

Fatores  situaciona is

sistema  

técnico sem  sofisticação,  ambiente  

dinâmico.

. madura e  

grande;

. controle  

externo

. ambiente  

simples e  

estável;

. não seguidora  de moda.

. ambiente  

estável e  

complexo;

. sistema  

técnico não  regulado e  

não  

sofisticado;

. acompanha a  moda.

. mercados  

diversificados; . gerentes de  linha  

intermediária  necessitam  

poder.

ambiente  

complexo e  

dinâmico

Foco

flexibilizaçã

estabilidade

conhecimento

diversificação,

inovação

 

o

Ex.:  

pequenas  e médias  

empresas  – varejo.

Ex.: empresas  de produção  em massa

Ex.: hospitais,  universidades , empresas  

de auditoria e  de produção  artesanal.

flexibilidade

Ex.: grandes  corporações.

Ex.:  

organizações  que trabalham  com projetos.

Fonte: Adaptado com base em Mintzberg (1995).

Deve-se considerar que não existe um modelo puro de configuração. Mas, é  uma teoria útil para que se possam comparar as diversas empresas quanto ao modelo de organização assumido e identificar o(s) modelo(s) predominante(s).  Segundo Mintzberg (1995):

[...]em certo sentido, as configurações não existem em  

absoluto. No final, elas são somente palavras e figuras em  

folhas de papel e não uma realidade em si [...] as  

configurações representam um conjunto de cinco forças  

que ‘tracionam’ as organizações em cinco direções  

diferentes [ ... ]a estrutura que a organização realmente  

delineia depende, em grande parte, de quão intensamente  

cada uma dessas trações a pressiona para mudar a seu  

favor. [...] Quando duas ou mais trações coexistem  

relativamente balanceadas, esperamos emergir um  

‘híbrido’ das nossas configurações. (p. 278-280).

Dentre os aspectos analisados nessas configurações e que podem influenciar  os trabalhos de uma ouvidoria interna destacam-se o(a): a) mecanismo  principal de coordenação, se por supervisão direta, por padronização de  trabalho, de habilidades e dos resultados ou por ajustamento mútuo; b) grau de  especialização dos serviços, se pouco, algum ou muito; c) exigência de  treinamento e doutrinação e da diversidade de perfil dos profissionais; d)  ambiente, se simples, estável, complexo e/ou dinâmico; e e) poder, se pelo  executivo principal, pela tecnoestrutura, pelo operador profissional, pela linha  intermediária ou pelos peritos.

Destacam-se também os problemas típicos e decorrentes da configuração  predominante que podem influenciar os aspectos característicos de uma  ouvidoria interna, oriundos da(s): padronizações; relações entre os operadores  e entre o núcleo operacional e a linha intermediária; e comunicação (da cúpula  estratégica até o núcleo operacional, e/ou de baixo para cima).  

4. Contextualização do estudo na instituição estudada.

A Instituição estudada atua em uma diversidade de áreas e multiplicidade de  atividades, características que são típicas de instituições de pesquisa. Segundo  Hamilton & Britto (2000): em “organizações complexas envolvidas com  atividades de C&T observa-se uma atuação direcionada para múltiplos  campos, nos quais se assiste a um notável avanço das fronteiras do conhecimento” (p.3). As instituições públicas com esse perfil podem ser  caracterizadas e comparadas a uma “holding social”.  

Os institutos de pesquisa “bem-sucedidos realizam tarefas e serviços técnicos  altamente especializados, assistindo a indústria em suas atividades  inovadoras” (Rush et alii, 1995, p. 30, apud QUENTAL & GADELHA, 2000),  através também do suporte de infraestrutura científica e tecnológica dado ao  respectivo Sistema Nacional de Inovação no qual está inserida. A Instituição  estuda vem discutindo e buscando cada vez mais melhorar a sua eficácia e  eficiência nessa relação, e no sentido de ver o retorno dos recursos públicos  investidos em pesquisa e desenvolvimento. 

FIGURA 2 – Sistema Nacional de CT&I/S.

Agências de  

Instituições  de Pesquisa

Empresas

Fomento Agências  Reguladoras

Ministério  

de C&T

Centros  

Tecnológicos

Sistema  

Nacional de  CT&I

Bancos

Sistema  

Nacional de  CT&I/S

Sistema  

Nacional de  

Saúde

Ministério  

Secretarias  Estaduais e  Municipais

Hospit da Saúde ais

Fonte: Adaptação do quadro apresentado por Gadelha (2002).

A Figura 2 ilustra a interface existente entre o Sistema Nacional de CT&I e o de  Saúde, caracterizando o Sistema Nacional de CT&I/S, onde ocorre uma  dinâmica entre prestação de serviços, ciência, tecnologia, inovação e  indústrias, dentro do complexo da área da Saúde. Segundo Gadelha (2002),  esse complexo organizacional tem papel importante no processo de reflexão da  política de CT&I/S e o considera como um micro complexo ou sistema de inovação em saúde, uma vez que a maioria dos seus segmentos compõe o  complexo industrial da saúde do País.  

A impregnação da lógica capitalista no ambiente da saúde, tanto público  quanto privado, de dinâmica competitiva entre os respectivos segmentos,  dentro de políticas industriais e tecnológicas (estímulos governamentais  destinados às atividades de pesquisa e desenvolvimento em saúde), conjugada  aos desafios trazidos pela política social (de eqüidade, de redução das  diferenças sociais e de acesso aos bens e serviços de saúde) traz, conforme  Gadelha, (2002 e 2003) um aumento do grau de dinamismo e inovação e  conseqüente melhoria dos níveis de bem-estar social e da qualidade de vida da  população brasileira.

Nesta lógica, destacam-se algumas características importantes para esse  complexo industrial: (1) ser composto por segmentos em condições sistêmicas  de competitividade, dentro da lógica capitalista, respaldada no bem-estar da  sociedade e na inovação em saúde; (2) sofrer influências, e utilizar os novos  paradigmas tecnológicos, que aceleram a fronteira científica e tecnológica em  Saúde; e (3) ter o Estado como principal ator dentro das políticas industrial,  tecnológica e social em saúde, e na articulação entre estas e entre o sistema  de saúde e o sistema de inovação, com importância central e decisiva para o  

avanço tecnológico em função de seu papel (direto ou indireto de intervenção),  em interação com a sociedade civil organizada, de: (3.a) promoção (através da  política de compras de bens de consumo, de serviços e de bens de capital);  (3.b) indução (através da política de financiamento ao investimento e  incentivos, para as unidades subnacionais, para as atividades de pesquisa e  desenvolvimento e para as áreas de serviços e de produção de bens, visando à  superação das dificuldades estruturais e à modernização do modelo gerencial);  e (3.c) regulação (delimita as estratégias dos agentes econômicos).  

Em organizações envolvidas com atividades de CT&I/S se observa, pelo  caráter complexo do sistema científico e pelas mudanças sofridas ao longo do  tempo “na fronteira técnico-científica, na lógica de organização das atividades  científicas e no próprio aparelho de Estado”, a vinculação às estruturas sociais  intrincadas que são afetadas pelos padrões cognitivos e sistemas de valores  subjacentes. Como consequência, segundo Hamilton & Britto (2000), ocorre  alguma aderência entre as atividades científicas e algumas formas  organizacionais, também certa tendência à consolidação de regras  institucionalizadas, orientadoras das atividades de pesquisa.

A Instituição estudada, tanto pela multiplicidade e diversificação de atividades,  processos, produtos e serviços, e pelo conjunto de unidades técnicas com  missões específicas, quanto pela diversidade de cliente (pacientes atendidos  pelas unidades de prestação de serviços de assistência hospitalar, alunos de  segundo grau técnico e de pós-graduação lato sensu e stricto sensu, órgãos do  governo, etc.), se apresenta como uma organização complexa em CT&I/S,  cujas características podem ser determinantes da convivência simultânea das  cinco configurações de modelo organizacional apresentadas por Mintzberg  (1995).

Pode-se dizer que a Instituição está mais próxima e adaptada a um modelo  organizacional que reconhece e estimula a capacidade criativa e a liberdade  intelectual dos seus trabalhadores que se caracterizam, na sua maioria, pela  versatilidade, com participações em diversas ações programáticas. Sua  estrutura organizacional, portanto, conta com instâncias que viabilizam e  garantem o alinhamento entre os projetos das unidades e o Plano Institucional  compatibilizado aos demais de Estado (do Governo Federal, de C&T e da  Saúde).  

Dentre as configurações apresentadas por Mintzberg (1995), o modelo de  estrutura organizacional preponderante para a Instituição estudada é a  Burocracia Profissional (fortemente marcado pela padronização das habilidades) que pode, em algumas áreas específicas, adotar um modelo  híbrido, como na pesquisa, ensino e prestação de serviços de referência, pela  influência da configuração Adhocrática. Neste caso, o modelo é uma estrutura  híbrida de organização chamada de Burocracia Profissional Adhocrática,  conforme ilustrado na Figura 3.

FIGURA 3 – Instituição estudada: representação das trações entre as  configurações (logotipos) da Burocracia Profissional e a Adhocracia.

BUROCRACIA  

TRAÇÕES ADHOCRACIA

Projetos e  

PROFISSIONAL

programas em  

1

CT&I/S;

1

Protótipos.

2

3

5 3

2

5

4

Padronização de  

4

habilidades

profissionais

1. Cúpula estratégica; 2. Tecnoestrutura; 3. Linha Intermediária; 4. Operações  finalísticas; 5. Assessoria de apoio.

Fonte: Adaptação com base nos logotipos de Mintzberg (1995).

A Burocracia Profissional para operar apóia-se, segundo Mintzberg (1995),  “nas habilidades e conhecimentos de seus operadores profissionais, todos  produzindo bens ou serviços padronizados” (p. 189), enquanto a Adhocracia é  uma configuração que seria mais adaptada a trabalhos que levem a  organização a produzir inovações sofisticadas, “capaz de fundir peritos tirados  de diferentes especialidades em equipes de projetos ad hoc operando  suavemente” (p.253).

Estas duas trações predominantes coexistem de forma, relativamente,  harmonizada. Por um lado, a tração é caracterizada pela promoção da ampla  padronização das habilidades do núcleo operacional, com forte exigência na  formação profissional, tanto através das exigências nos perfis em concursos  públicos, quanto através do aperfeiçoamento de seu desempenho e do  investimento na capacitação profissional em pós-graduação (lato e stricto  sensu), como mecanismo de coordenação. Neste caso, é tracionada como  Burocracia Profissional, onde os trabalhadores, segundo Mintzberg (1995)  “para profissionalizar, coordenando pela padronização de habilidades com a  finalidade de maximizar sua autonomia” (p.280). Por outro lado, a Instituição  também se caracteriza pelo estabelecimento de novos projetos e programas e  desenvolvimento de protótipos, como estratégia, principalmente, para a  promoção da inovação em CT&I/S. Neste caso, é tracionada para a  Adhocracia, onde a assessoria de apoio e os trabalhadores agem, segundo o  referido autor “por colaboração (e inovação) na tomada de decisão, para  coordenar pelo ajustamento mútuo” (p.280).

4.1 - Entrevistados.

O presente estudo caracterizou-se pela coleta de dados através de três  

entrevistas, sendo dois dirigentes internos (Ouvidoria e outro órgão da estrutura  formal) e o diretor do órgão sindical. Com relação a este último, foi relatada e  constatada a existência de demandas individuais de natureza de uma  Ouvidoria Interna, para as quais não existe uma forma de registro e nem  procedimentos definidos de atenção.  

Com relação aos órgãos da estrutura formal, constatou-se que não existem  estruturas próprias para lidar com as manifestações trazidas pelos cidadãos trabalhadores, relacionadas tanto às solicitações de informações e  esclarecimentos (sobre itens de contracheque, concurso público, etc.), quanto  às reclamações, sugestões, elogios e denúncias (de ouvidoria interna).

Excluindo-se os casos tratados através de processos administrativos (direito e  benefício concedidos pelo Governo ou casos disciplinares e de sindicância),  previstos em normas internas e na legislação, os cidadãos-trabalhadores fazem  consultas diretamente aos profissionais das diversas áreas, que dão tratamento  às manifestações sem o correspondente registro. Tal fato caracteriza a  inexistência de um sistema gerencial de atendimento organizado das  solicitações ou manifestações, dificultando a visão sistêmica dos problemas.

Na Ouvidoria, criada em 2004 para atender a demanda do público externo,  constatou-se, desde o início, a ocorrência de demandas específicas dos  trabalhadores de ouvidoria interna, que são importantes para a discussão sobre  a implantação deste Canal na Instituição.  

No processo de levantamento das demandas, internas e externas, desde sua  implantação em 2005 a 2006, pode-se constatar que 10% das manifestações  são oriundas do público interno, e destas, quase 60% se referem a registros de  reclamações. O prazo médio registrado para a resposta às manifestações é de,  aproximadamente, 8 (oito) dias.

As demandas registradas na ouvidoria sobre os serviços prestados pela área  de recursos humanos demonstram a incoerência da vinculação da ouvidoria  interna a essa área, como vem sendo defendida por uma linha de pensamento  interna. Este fato caracteriza que essa área é alvo das insatisfações dos  trabalhadores, não tendo a isenção necessária para intermediar a solução para  esse tipo de demanda.

Através do estudo constata-se que a forma de acesso à ouvidoria mais  utilizada é o correio eletrônico com 86% dos registros. Associando-se o fato da  Instituição possuir ainda hoje, em seu quadro, um quantitativo considerável de  trabalhadores que não têm acesso aos computadores e aos meios eletrônicos,  fica sinaliza a necessidade de diversificação desses meios para facilitar e  ampliar a universalização dessa possibilidade para o conjunto de  trabalhadores. Se essa diversificação não for considerada, os dados passam a  ser representativos de um segmento desse conjunto (daqueles que têm acesso  aos computadores e aos meios eletrônicos).

Pelo fato de existirem essas manifestações internas latentes e reprimidas e as  discussões ocorridas nas instâncias de deliberação, à aprovação da proposta  de criação de uma ouvidoria interna foi inevitável, sendo sinalizada também a  necessidade de implantação de formas proativas de atenção e de tratamento  para orientar o cidadão-trabalhador a esgotar as possibilidades de solução,  através das instâncias organizacionais disponíveis, e no sentido do  esclarecimento quanto à real natureza dos trabalhos de uma ouvidoria interna.

4.2 - Síntese das entrevistas.

Resumidamente, passa-se a apresentar os principais aspectos abordados nas  entrevistas com relação à importância da criação da ouvidoria interna numa  Instituição de CT&I/S.

O fato de a Instituição ter instaurado, a partir do final da década de 80, o  processo participativo e democrático como inovação ao modelo de gestão em  C&T/S, tem relevante importância no sentido de destacar que já trabalha sob a  lógica democrática, e a ouvidoria interna só irá complementar, reforçar e  contribuir para essa perspectiva, como uma instância a mais, não substituindo  as já existentes. Este cenário muda quando a criação deste Canal ocorre num  ambiente organizacional que não funciona dentro dessa lógica de gestão e  onde a sua contribuição para o conceito de participação pode ter mais  destaque, até mesmo ser a única forma de participação dos trabalhadores no  desenvolvimento e performance organizacional.

Com o objetivo de contribuir no planejamento estratégico da criação dessa  Ouvidoria, particularmente em uma Instituição de C&T/S, e na análise das  informações obtidas nas entrevistas, foram realizados esforço e adequação na  aplicação dos conceitos da Matriz SWOT, mapeados conforme Quadro 3,  visando à criação da inteligência a ser utilizada neste processo.

QUADRO 3 – Modelo de Análise SWOT

FORÇAS

FRAQUEZAS

OPORTUNIDADES

AMEAÇAS

I) pode  

compartilha r com a  

Ouvidoria: a) quadro  de pessoal  - Concurso  Público;

b) infra

estrutura;

c) sistema  informatiza do;

d)  

facilidade

I) cargo remunerado através de  bolsa e não por cargo  

comissionado;

II) não ter autonomia  

orçamentária;

III) limite de acesso o que não  universaliza o Canal;

IV) nomeação pelo PR/Instituição  e não pelo PR/República;  

V) vinculação à Instituição e não à  União;

I) reestruturação e  

revisão do Estatuto da  Instituição;

II) crescimento das  demandas da  

sociedade e dos  

direitos humanos;

III) apoio do Estado  para a implantação de  ouvidorias;

IV) apoio da  

comunidade registrado

I)  

incompreen são por  

algumas  

áreas ou  

pessoas;

II)  

resistências  internas;

III)  

priorização orçamentári a da

de  

aquisição.

II)  

flexibilidade  e  

permeabilid ade  

assumidas;

III) ser  

UGR.

VI) dependência do orçamento da  Instituição e não ter orçamento  próprio da União;

VII) ausência de pessoal  

capacitado;

VIII) desejo de tornar-se uma  instância de poder e competir com  as demais.

nos últimos  

congressos;

V) demanda registrada  na Ouvidoria Externa;

VI) apoio da alta  

administração;

VII) mau funcionamento  das estruturas  

existentes.

Instituição  para a  

Saúde  

Pública;

IV) bom  

funcioname nto das  

estruturas – dado de  

sucesso da  Ouvidoria  Interna.

Fonte: Elaboração própria, a partir das entrevistas realizadas na Instituição e  com o Órgão Sindical.

Pode-se destacar, dentre outras estratégias, a ampla divulgação interna do  novo canal, antes mesmo da sua criação, o que pode reduzir as possíveis  resistências ou falta de compreensão, por algumas áreas, do papel da  ouvidoria interna, que levam a julgar ser este canal desnecessário. A  divulgação serviria também, como forma de orientar os trabalhadores quanto  aos caminhos corretos a seguir antes mesmo de registrar sua manifestação. Um destaque importante nessa análise, como oportunidade, é o fato das  estruturas/ instâncias que deveriam estar dando conta das demandas dos  cidadãos-trabalhadores não estarem funcionando bem. A força está  relacionada à flexibilidade e permeabilidade a ser assumida pela ouvidoria  interna, sem se tornar uma instância de poder paralelo e competir com as  demais. Porém, deve induzir o bom funcionamento destas, no aproveitamento  e transformação de oportunidade surgida, a partir da manifestação do  trabalhador e/ou da sinalização feita pelo Canal, e, consequente, solução e  correção de procedimentos e práticas internas, trazendo uma sistematização  de solução para os problemas e a deflagração de um processo de inovação. O  que caracterizaria um dado de sucesso da ouvidoria que, paradoxalmente,  seria ao mesmo tempo um fator de ameaça. Isto é, na medida em que as  instâncias melhorem o seu desempenho, que poderia ser pelo bom  desempenho do Canal, reduziriam as demandas a este e, consequentemente,  ficaria ameaçada a necessidade de sua existência, fugindo a sua natureza  sobreviver à custa do mau funcionamento da Instituição.

Com relação aos conceitos, como responsabilidade social, cidadania,  democracia, transparência, participação e acesso universal, que envolvem uma  ouvidoria, externa ou interna, acredita-se que são valores imbricados, e um  pode contribuir mais do que outro por alguma razão ou pelo momento. Dentre  eles, foi dado destaque à transparência, como sendo aquele para o qual,  especificamente, a ouvidoria interna mais contribui, pelo fato de possibilitar o  aumento do fluxo da informação dentro da estrutura de poder existente e a  percepção por outra instância de poder, do mau funcionamento de alguma  área. Outra forma de contribuir para este conceito ocorre pela emissão dos relatórios periódicos, quando a Canal divulga os seus trabalhos e apresenta os  problemas existentes na Instituição e as respectivas soluções ou pendências.

Entretanto, a instalação da ouvidoria interna necessita de algumas  ponderações, dentre as quais foi destacada a forma em que se dará a sua  articulação com os fóruns colegiados. Estes tratam de assuntos mais gerais,  relacionados aos macro-objetivos institucionais, ou de interesses e direitos  coletivos, e não de questões individuais ou particularidades, e cujos papéis,  atribuições e fluxos de trabalho não estão claramente definidos, para o público  interno e externo.

Nessa articulação, o Canal tem importante papel pedagógico, na disseminação  e nos esclarecimentos relacionados aos seus objetivos e missão, e na  orientação do trabalhador quanto às instâncias corretas e disponíveis, de  atenção à sua demanda, e quanto à importância de esgotar essas  possibilidades antes de recorrer à ouvidoria interna.

Orientar os gestores das unidades, dentre outros aspectos, quanto à  importância da manifestação ser respondida pelo profissional/instância mais  adequado e da preservação da qualidade e tempestividade das  respostas/soluções, visando, principalmente, a satisfação do demandante e o  bem-estar no ambiente de trabalho. Que a manifestação seja interpretada  como oportunidade de identificação de pontos críticos e a respectiva solução  como geração de conhecimento e possibilidade de desenvolvimento  tecnológico, a partir das modificações ou criação de novos processos, produtos  ou serviços, e possível contribuição para o Sistema Nacional de CT&I/S.  Orientar ainda, quanto à possibilidade de sua manifestação não ser procedente  e merecer atenção mesmo assim e que, antes de qualquer medida, há  necessidade da identificação da falha cometida.

A ouvidoria interna também, com certa autonomia, teria a função de permitir e  facilitar a mediação exercida pelas instâncias estruturais sobre as questões  trazidas pelos cidadãos-trabalhadores, atuando como um canal do fluxo das  informações que alimentam essas estruturas.

Assim, apontam-se também outros aspectos como vantagens e/ou benefícios  pela criação deste Canal: (1) ter alguém para ouvir e local para o trabalhador  expor o seu problema; (2) promover a universalidade de tratamento; (3) ser  canal e instrumento de redução do tempo de diagnóstico e possibilidade de  soluções para as questões apresentadas às instâncias constituídas; (4) ser um  Canal que possibilite a resolução de conflitos no mundo do trabalho; (5) ser  indutor da busca pela solução ou de procedimento apropriado para as  questões; (6) ser fonte de motivação para o trabalhador, pois com o problema  resolvido se sente respeitado e, conseqüentemente, trata bem o cliente usuário. O inverso também é verdadeiro; (8) proporcionar mais transparência e  permeabilidade às estruturas de poder; e (9) melhorar a imagem institucional.

Não foram apontadas desvantagens, a não ser que o canal seja mal conduzido  ou não venha a ocupar o seu verdadeiro papel e missão. Se continuar a ser  muito utilizado é sinal de que as coisas terão continuado a funcionar muito mal.

5. Referência externa: a Ouvidoria Interna

A Empresa escolhida como referência é uma organização pública do Sistema  Financeiro Nacional, e está, atualmente, subordinada administrativamente ao  Ministério da Fazenda, com vinculação técnica ao MPOG, e sujeita às decisões  e à disciplina normativa do órgão competente e à fiscalização e às penalidades  do Banco Central. Foi escolhida por ser uma das pioneiras na implementação  de um sistema estruturado de Ouvidoria Interna.

Essa Empresa, ao longo de sua história, se consolidou, cresceu e ampliou sua  área de atuação, hoje caracterizada por um leque de atividades, como a  prestação de serviços bancários, a realização de operações financeiras e a  operação dos programas oficiais de habitação e saneamento. Tem como  clientes: correntistas, trabalhadores, beneficiários de programas sociais, etc.

O setor financeiro sofreu os efeitos das mudanças da economia mundial e  continua em transformação com as novas TIC, dimensão importante para o  setor, sendo incorporadas ao mesmo tempo em que o próprio setor gera  mudanças. Assim, as diversas instituições financeiras têm, geralmente, uma  estrutura central e diversas agências ou filiais (divisões) espalhadas por todo o  País (principais portas de entrada dos clientes).

As instituições financeiras caracterizam-se, principalmente, pela competição  relacionada à preferência dos clientes, o que as obriga a uma constante  atualização em relação à dinâmica do respectivo mercado, e pela atuação com  um grau elevado de intercâmbio de informações. Suas principais necessidades  são o monitoramento permanente para a tomada de decisões, grande  capacidade de atenção e resposta rápida, sem o comprometimento das  exigências de alta confiabilidade e segurança dos serviços e produtos  oferecidos, fatores importantíssimos para os sistemas instalados, e a gestão  das informações a partir do “raio x” das suas agências tanto para a linha  intermediária quanto para a cúpula estratégica, o que leva a um elevado grau  de padronização dos processos e de TIC. Assim, necessita estar na vanguarda  tecnológica e oferecer produtos e serviços de forma competitiva.

De acordo com Salim (2007), destaca-se ainda, a necessidade de treinamento  dos empregados para operar os novos equipamentos, na incorporação de  novas rotinas e padrões de processos, e as novas formas de relação com os  clientes que passam, também, a ensinar a estes quanto à escolha e uso das  alternativas. 

Em relação à estruturação das organizações desse setor, para Salim (2007), a  opção por formas criativas é imperativa, pois para o cliente pouca importância o  canal de interlocução, se telefone, internet, etc., este escolherá o canal que  melhor lhe convier. Coloca a gestão do conhecimento como diferencial e  vantagem competitiva no setor, devendo ser distribuído e colocado em prática  para caracterizar competência, gerando valor à organização e a seus  membros, se for adequado e de natureza contínua. Esta vantagem competitiva  se sustenta ou incrementa a partir do que sabe, de como o utiliza e da rapidez com que absorve novos saberes e, para tal, são necessários três elementos chave relacionados ao conhecimento: acervo, a aplicação e a reciclagem.  Nesse contexto, a instituição financeira assume algumas características  fundamentais para uma análise à luz das configurações propostas por  Mintzberg (1995). As características apontam para um modelo de estrutura  organizacional preponderante da Burocracia Mecanizada. Porém, a atuação  

por meio de agências em diversas localidades, leva a um modelo híbrido, pois  sofre a influência da configuração da Forma Divisionalizada. Dentro desta  configuração, segundo Mintzberg (1995), cada divisão (agência) tem a própria  estrutura e relativa autonomia, limitada verticalmente, e com alguma  importância dada ao relacionamento estrutural entre a linha intermediária e o  escritório central (cúpula estratégica), que promove reuniões periódicas, assim  como, rodízios entre estes gerentes com o objetivo de desenvolver a ampla  perspectiva da organização. A diversidade de mercado é o fator que leva a  organização a utilizar esta configuração, e são três os tipos de diversidades a  serem consideradas: produto e serviço; cliente; e região (caso específico da  Empresa de referência).

Nesta estrutura híbrida de organização, entre a Burocracia Mecanizada e a  Forma Divisionalizada (Figura 4), constatam-se duas trações predominantes exercidas, de forma combinada e de coexistência relativamente balanceada.  Por um lado, a Empresa promove a ampla padronização de seus processos de  trabalho, para coordenar (Burocracia Mecanizada). Por outro lado, monitora o  desempenho das agências após a ocorrência do fato, pela padronização de  seus resultados, como controle do desempenho pelo órgão central sem  comprometer a relativa autonomia da agência (Forma Divisionalizada).

FIGURA 4 – Empresa de referência: representação das trações entre as  configurações (logotipos) da Burocracia Mecanizada e a Forma Divisionalizada.

BUROCRACIA MECANIZADA TRAÇÕES FORMA DIVISIONALIZADA Agências em  

1

vários locais  

1

do País

2

5

3

5

2 3

4

4

Padronização  

dos processos

1. Cúpula estratégica; 2. Tecnoestrutura; 3. Linha Intermediária; 4. Operações  finalísticas; 5. Assessoria de apoio.

Fonte: Elaboração própria, com base em Mintzberg (1995).

A Empresa de referencia tem uma tradição em serviços de atendimento desde  meados de 1987, inicialmente constituído para atender o público externo. Em  2002, cria o SAC Interno, como um canal de interlocução com o empregado, na busca da efetivação dos princípios de participação e transparência da gestão  pública. Neste mesmo ano, delineia-se e institui-se a ouvidoria externa. A demanda por um canal apropriado e exclusivo para atender ao público  interno, em relação às reclamações, sugestões, elogios e denúncias, surge  como necessidade de comunicação dos empregados com a Organização, o  que já era uma constatação, e também, como necessidade de contraponto à  

Ouvidoria externa. Esses fatores levaram à aceleração do desenvolvimento de  um sistema informatizado específico para o atendimento das demandas  reprimidas, o que facilitou a criação da Ouvidoria Interna.

5.1 - Síntese da entrevista.

Das entrevistas realizadas na ouvidoria da Empresa de referência, podem-se  destacar alguns aspectos importantes a partir do que foi apontado, assim  optou-se por colocar em destaque, entre aspas e em itálico, algumas frases  selecionadas dessas entrevistas, dando suporte ao que está sendo  apresentado neste trabalho.

Assim, resumidamente, de acordo com essas a entrevistas, as resistências  acorrem pela falta de “cultura de ouvidoria na empresa, como acontece em  outros organismos e instituições. Essa realidade tende a provocar, em algumas  situações, conflitos, desentendimentos e reações pouco favoráveis à atuação  da unidade [ouvidoria]”.

Embora, o desenvolvimento alcançado pela ouvidoria interna, e a sua  consolidação e reconhecimento interno, julga que “há muito trabalho a ser feito,  ainda, em termos de divulgação e disseminação do instituto, interna e  externamente, para se alcançar maior visibilidade e a tão pretendida  universalização dos serviços”. A partir da entrevista, pode-se construir a Matriz  de Análise SWOT (Quadro 4).

QUADRO 4 – Modelo de Análise SWOT: Empresa de referência externa.

FORÇAS

FRAQUEZ AS

OPORTUNIDADES

AMEAÇAS

I) saber  

suportar com  tolerância e  coragem  

tudo o que  chega a seu  conheciment o;

II) sistema  

informatizad o;

III) facilidade

I) não pode  selecionar  o que será  ou não  

recebido;

II) barreiras  materiais;

III)  

limitações  humanas.

I) conscientização da  “inteligência  

corporativa”;

II) necessidade de  mudança em função  da existência de  

mecanismos  

ineficientes e  

obsoletos para  

manifestações,  

agravado pela (o): ∙ desconhecimento  pelos gestores do

I) tradição autocrática e cultura de  poder centralizado;

II) corporativismo e amarras da  etiqueta;

III) organização imatura ou  

conservadora;

IV) resistências e boicotes ao Canal,  explícitos e velados;

V) incompreensão ou  

desconhecimento de alguns

de  

implantação: ∙ espaço  

físico;

∙ pessoas e  respectiva  

qualificação; ∙

equipamento s;

∙ programas; ∙ tecnologia; ∙ infra

estrutura .

IV) rotina de negociação  com  

gestores -

prazos;

conteúdo das  

manifestações;

∙ inexistência de  orientação formais  para a rotina,  

tratamento,  

acompanhamento  ou retorno às  

demandas;

III) advento da  

tecnologia da  

informação;

IV) “clamor pela  

criação de um canal  apropriado para  

receber a  

manifestação”;

V) patrocinada pela  Cúpula Estratégica.

gestores ou empregados quanto à  função/papel da Ouvidoria Interna,  ou ser interpretada como um canal  de protesto;

VI) temor pela quebra de hierarquia;

VII) acharem que a Ouvidoria tem  que responder e dar  

esclarecimentos;

VIII) empregados demonstram  incômodo em responder à demanda  ou consideram punição dada pela  chefia com quem está em litígio;

IX) manifestação não ser tratada  pelo profissional mais qualificado,  compromete a qualidade e a  tempestividade;

X) alguma informação da Ouvidoria  for utilizada para punir ou advertir  qualquer empregado.

Fonte: Elaboração própria, a partir da entrevista com a Ouvidora da Empresa  de referência.

Na análise do quadro, dentre outros aspectos considerados como  

oportunidade, destaca-se o apoio da cúpula estratégica, principalmente, por ter  sido patrocinada por esta, e a existência de clamor interno que evidencia a  necessidade da criação de um canal apropriado para receber a manifestação  dos empregados. Acrescentam-se ainda, as mudanças trazidas pelo advento  da TIC e da ineficiência dos mecanismos anteriormente existentes para  recepção das manifestações dos empregados, como caixas de sugestões,  colunas em jornal, etc.

Combater, também, as ameaças relacionadas à incompreensão ou  desconhecimento de alguns fatores quanto ao papel da ouvidoria interna e o  temor pela perda de poder, ou ainda, o público interno acreditar que tem de  responder e dar os esclarecimentos, quando o responsável é quem gerencia o  processo ou executa a ação.  

Em relação aos conceitos básicos que envolvem uma ouvidoria, diante das  especificidades de cada um dos públicos, interno ou externo, estes são  universais, conforme salientado pela Ouvidoria da Caixa econômica Federal na  entrevista “não podendo haver limitação e nem modos diferentes de atuação,  sob o pretexto da existência de públicos distintos”, apenas, eventualmente,  adaptadas as formas de promover a divulgação da ouvidoria interna. O modelo de ouvidoria, conjugando a Interna com a externa, foi conseqüência da  possibilidade, tanto de utilização da infraestrutura disponível para a ouvidoria  

externa quanto de integração das ações de ambos os canais, “de modo que um  contribuísse para o amadurecimento do outro, num processo de mudança  cultural envolvendo empregados, gestores e cidadãos em geral”. Essas são  complementares, guardando semelhanças e diferenças, e dessa forma, têm  uma visão do processo como um todo, permitindo-lhes atuar de forma mais  orgânica.

No gerenciamento das duas ouvidorias, percebe-se que os gestores tendem a  ter mais cuidado quando respondem aos clientes do que às manifestações dos  empregados e que essa cultura hierárquica precisa de mais maturação, “para  compreender que gestão participativa e administração transparente são  processos que se iniciam nas relações interpessoais”.

Para conquistar uma cultura propícia à ouvidoria interna é necessário que,  além de infraestrutura, pessoal, sistema informatizado adequado, dentre  outros, e do apoio da Cúpula Estratégica da organização, esse instituto adquira  credibilidade e se consolide nessa posição de canal de atenção às  manifestações dos trabalhadores. Para tanto, deve implementar e manter as  parcerias internas na garantia da tempestividade e qualidade das respostas e o  compromisso em corrigir as disfunções identificadas. Acredita-se que para a  eficiência, eficácia e efetividade da ouvidoria interna nas organizações, há  necessidade de que todos os atores compreendam a importância desse canal  e assumam a responsabilidade sobre seu sucesso.

Destaca-se o investimento em “divulgação e disseminação do Instituto, interna  e externamente, para se alcançar maior visibilidade e a tão pretendida  universalização dos serviços”. Nesse sentido, e para o estímulo ao uso da  ouvidoria interna, a ouvidoria atua através de reuniões, palestras e encontros  com os empregados, ou dos relatórios, boletins e notícias publicados. Nessa  difusão do canal, conta também, com o apelo feito por algumas áreas  operacionais, que incluem um link de acesso em seus sites da Intranet.

Dessa forma, consegue-se evitar algumas situações como,“conflitos,  desentendimentos e reações pouco favoráveis à atuação” da ouvidoria interna,  dentre estas, as desconfianças pela quebra de hierarquia por parte dos  gestores, e o receio de retaliações, por parte dos trabalhadores.

Dentro do processo de escolha do ouvidor, considera ser mais importante a  disposição pessoal para “representar os empregados e fazer enfrentamentos  maduros e firmes em todos os níveis hierárquicos” e a delegação expressa  pela Cúpula Estratégica da organização, o que dá ao ouvidor a capacidade de  trânsito por toda a organização, bem como, “de se fazer ouvir e cobrar  respostas claras, objetivas, convincentes e conclusivas”, com o  estabelecimento, talvez, de um período máximo de permanência nessa função,  afirmando que “a ‘militância’ em ouvidoria é um processo educativo que  modifica o indivíduo e a instituição”.

Para o sucesso de uma ouvidoria interna considera-se também importante a  

adoção do instrumento de avaliação da satisfação dos empregados em relação  às suas atividades e a Empresa em referência possui três instrumentos. As principais desvantagens apontadas pela criação de uma Ouvidoria Interna  são: a) institucionalizada com base na intenção de marketing; b) não cumprir o  seu papel e não funcionar bem; c) não superar as franquezas e ameaças; d)  trazer à tona a cultura da empresa e não conseguir quebrar as barreiras por ela  impostas de resistência; e) não conquistar a confiança e credibilidade do  empregado, o que pode levar à falta de motivação e a ter as relações  interpessoais dificultadas, como conseqüência, o tratamento inadequado ao  cliente e comprometimento da imagem da organização; f) o funcionamento  suscitar reações e trazer à tona alguns enfrentamentos.

Dentre as vantagens citadas, destaca-se aquela em que a ouvidoria interna,  através do seu banco de informações, produz conhecimentos que subsidiam  decisões estratégicas, evita a perda de recursos ou esforços, além de contribuir  na análise de conjunturas e cenários, internos e externos, e com idéias  preciosas fornecidas por quem mais conhece a instituição: seus clientes e  empregados. O trabalho deste canal traz benefícios, como o aumento do  compromisso do empregado com a organização, da melhoria do clima  organizacional e de transformação dos empregados em verdadeiros  consultores internos.

6. Desenvolvimento de uma proposta para a ouvidoria interna.

Tanto a Instituição estudada quanto a Empresa de referência são instituições  públicas com mais de um século de existência e de importante atuação em  políticas públicas.

Nas suas trajetórias presenciaram as transformações que marcaram a história  do Brasil e por elas foram influenciadas e, de modo recíproco, exerceram  influência sobre essas transformações. Assim, de forma contínua, estas  instituições atuam e contribuem na busca do desenvolvimento e aprimoramento  do País, respectivamente, nas áreas de CT&I/S e Financeira.

A criação de ouvidoria interna em instituições com características e  configurações diversas, de CT&I/S e do sistema financeiro, pode levar a  assumir algumas especificidades e tipificar os respectivos canais. Os  elementos desses cenários distintos podem exercer influências sobre algumas  de suas dimensões: (1) os papéis assumidos, (2) a natureza das demandas, (3)  a sua inserção no modelo de gestão praticado, (4) a sua operacionalização e  (5) a formação da equipe. Na análise dessas influências observam-se algumas  diferenças e semelhanças (Quadro 5):

QUADRO 5 – Ouvidoria Interna: dimensões de comparação entre as duas  instituições.

DIMENSÕ ES

INSTITUIÇÃO  

PESQUISADA

EMPRESA DE REFERÊNCIA

Natureza

CT&I/S.

Financeira

Configuração do  

formato  

organizacio nal

Híbrida:

Burocracia Profissional e Adhocracia.

Híbrida:

Burocracia Mecanicista e

Forma Divisionalizada.

Gestão

Democrática (gestores  eleitos) e processo  participativo (instâncias  colegiadas com membros  eleitos).

Compartilhada através de instâncias  colegiadas (Diretores indicados pelo PR./Empresa e nomeados pelo Conselho  de Administração, de acordo com  critérios definidos no Estatuto, e cargos  em comissão de livre nomeação pelo  PR./Empresa)

Público  

interno

Servidores (pesquisador,  tecnologista, analista e  técnico) com diversos níveis  de habilidades, prestador de  serviço, incluindo deficiente  auditivo, bolsista (estagiários  bolsa de iniciação científica e  de graduado) e adolescente  aprendiz.

Empregados (técnico bancário, de nível  médio e superior, graduado como,  advogado, engenheiro, dentre outros),  prestador de serviço (diversas  formações), estagiário e adolescente  aprendize.

Público  

externo

Qualquer cidadão

- desde pacientes até órgãos  das diversas instâncias de  Saúde do Estado, além de  órgãos internacionais.

Correntistas (conta corrente, poupança,  habitação e penhor), trabalhadores,  beneficiários de programas sociais,  apostadores, órgãos das diversas  instâncias do Estado e órgãos culturais,  educacionais e desportivos.

Fonte: Elaboração própria

I - Natureza da organização:

Em relação aos âmbitos de atuação descritos, da Instituição estudada e da  Empresa de referência, e aos papéis (educativo, operacional, integrador,  indutor e de autocrítica) de uma ouvidoria interna, pode-se depreender que  estes devem ser assumidos como básicos em instituições de qualquer  natureza. Porém, a ouvidoria interna deve ser constituída por uma equipe que  domine o contexto de atuação da organização e estar preparada para tratar a  especificidade relacionada à demanda registrada e ao perfil do público interno,  entre outras.

II - Configuração do formato organizacional.

A Empresa de referência assume o formato organizacional, tomando-se  Mintzberg (1995), como as demais instituições financeiras,  predominantemente, de características que levam a uma configuração híbrida entre a Burocrática Mecanizada e a Forma Divisionalizada (p.165-187, 213- 249).

Dentre as diversas características próprias de uma instituição financeira,  

destaca-se o fato de possuir um ambiente estável, uma vez que foi criada para  missão específica e pré-determinada, sendo o forte destas instituições a  eficiência e não a inovação. Os gerentes das empresas com esta configuração  são recompensados, Mintzberg (1995) “pela melhoria da eficiência operacional,  redução de custos, descobertas de melhores controles e padronizações”  (p.186) e o formato assumido dificulta a implementação de mudanças  necessárias e “não suporta um ambiente que seja dinâmico ou complexo” (p.187).

Com base em Mintzberg (1995), a Instituição analisada, tal como as instituições de pesquisa da área de CT&I/S, assume o formato organizacional,  predominantemente, de características que “levam a uma configuração híbrida  entre a Burocrática Profissional e a Adhocracia” (p. 189-212, 250-275). Dentre  as diversas características, destaca-se o ambiente bastante sensível às  mudanças trazidas pelo dinamismo dos programas de pesquisa integrado às  necessidades da sociedade, muito mais voltado para a inovação do que para a  eficiência. Os gerentes estão preparados para aceitar riscos, testar novos  comportamentos e encorajar a inovação.

Como decorrências da configuração assumida de formato organizacional,  segundo Mintzberg (1995), existem alguns aspectos e problemas que tendem a  gerar conflitos, identificados como próprios de cada configuração, e que podem  influenciar na caracterização da natureza da demanda de ouvidoria interna de  cada uma das instituições, do âmbito de CT&I/S e do Financeiro. Dentre estes  se destacam os seguintes conflitos típicos: a) no âmbito Financeiro: a.1)  Burocrática Mecanizada; e a.2) Forma Divisionalizada; b) no âmbito de CT&I/S:  b.1) Burocracia Profissional; e b.2) Adhocrática.

Em linhas gerais, as ouvidorias internas em instituições financeiras tendem a  ter demandas, predominantemente, relacionadas às ambigüidades dos  processos padronizados de trabalhos, aos respectivos sistemas informatizados  e às normas e regulamentos internos, além dos problemas inerentes às  relações interpessoais que ocorrem no núcleo operacional e entre o gerente da  divisão e o escritório central, conflitos típicos das configurações dominantes  nessas instituições.

As ouvidorias internas em instituições de CT&I/S podem ter demandas  caracterizadas e relacionadas, predominantemente, às conseqüências da  autonomia do profissional do núcleo operacional e da dificuldade de  coordenação do mesmo pela linha intermediária, também relacionadas aos  demais conflitos típicos das configurações assumidas.

III - Modelo de gestão assumido.

O modelo de gestão assumido em cada uma das instituições constitui  

importante fator de diferenciação na inserção da ouvidoria interna no contexto  institucional.  

Em relação à configuração predominante na Instituição analisada (Burocracia  Profissional Adhocrata), que justifica o modelo de gestão consolidado, a  Burocracia Profissional, conforme Mintzberg (1995) apresenta-se como: “uma  estrutura grandemente democrática, pelo menos para os profissionais do  núcleo operacional. De fato, os profissionais não somente controlam seu  próprio trabalho como também buscam o controle coletivo sobre as decisões  administrativas que os afetam. [...] O que surge, então, é mais uma estrutura  administrativa democrática” (p.196-197).  

Assim controlam as decisões que afetam o seu trabalho, não existindo  democracia para a assessoria de apoio (geralmente, burocrática mecanizada).  Esta configuração é chamada de organização “colegiada” uma vez que o poder  é exercido pelos operadores profissionais (por essa razão descrita como  pirâmide invertida). Em complemento e reforçando essa tendência, a  Adhocracia de Mintzberg (1995) “é a única configuração para aqueles que  acreditam em mais democracia com menos burocracia” (p.272).

A implementação da ouvidoria interna na Instituição analisada representa uma  inovação incremental que vai ao encontro do modelo de gestão democrática e  processo participativo existente, e aprimora-se ainda mais dentro de um  processo inovativo contínuo. Conclui-se que este canal deve ser incorporado  ao modelo de gestão como uma instância a mais, complementando, integrando  e harmonizando-se com as demais instâncias estruturais.

Para ilustrar, como metáfora, pode-se comparar o modelo de gestão da  Instituição analisada a um mosaico[5], no qual cada peça (instância estrutural,  vertical, horizontal ou colegiada) deve ser perfeitamente encaixada e ajustada,  não em superposição ou ocupando o espaço de outra, mas cada uma inserida  em seu espaço próprio, complementando as outras, todas dispostas de forma integrada e harmonizada num conjunto ajustado - o mosaico (modelo de  gestão). A ouvidoria interna deve se constituir como uma dessas peças  (representando um espaço de participação individualizado e no trato de  questões específicas e pontuais) do mosaico.

A ouvidoria interna na Instituição analisada, além de possibilitar a ampliação do  foco no cidadão-trabalhador dentro da gestão do trabalho, pode se constituir,  dentro desse modelo de gestão consolidado, representativo, em um  mecanismo de participação direta do profissional na inovação radical ou  incremental dos processos, produtos e serviços oferecidos pela Instituição  dentro do setor saúde. Esses mecanismos se complementam e proporcionam  uma ampliação das formas de participação, representativa e direta, onde a  ouvidoria tem papel fundamental.

As manifestações dos cidadãos-trabalhadores que são registradas na ouvidoria  interna e enviadas aos gestores responsáveis pela atenção ou, através de  relatórios à cúpula estratégica, podem levar ao (à): alguma mudança ou  solução para os pontos críticos identificados; geração de novos conhecimentos  e desenvolvimentos tecnológicos; geração de inovações e agregação de  qualidade às atividades finalísticas da Instituição; articulação e harmonização  entre as decisões gerenciais e as inovações implementadas; e transferência e  compartilhamento de inovações.

Nas instituições financeiras como a Empresa de referência, que tem em sua  gestão o modelo compartilhado, a inserção da ouvidoria interna proporciona ao  empregado a oportunidade de tomar a iniciativa e de expor suas insatisfações  inerentes ao processo de trabalho ou às relações interpessoais através do  registro da manifestação. Assim, leva em consideração a iniciativa, expectativa  e sugestões dos profissionais nos processos padronizados de trabalho e  produtos oferecidos pela empresa.

Na configuração predominante nas instituições financeiras, a democratização  da gestão não significa necessariamente eliminar os conflitos existentes e nem  uma mudança da realidade do dia-a-dia de trabalho. Segundo Mintzberg  (1995): “isso de alguma forma pode mudar suas atitudes para com o trabalho, infundindo uma dose de ideologia dentro de uma situação de outra maneira  utilitária. Um senso de propriedade pode reduzir os sentimentos de alienação” (p.181). Porém, tanto a atenção das manifestações registradas na ouvidoria  interna quanto a democratização da gestão, em geral, levam à reformulação e  correção dos processos padronizados e à uma centralização e a burocratiza  ainda mais, reforçando a configuração que tem (Burocracia Mecanizada), onde,  de acordo com Mintzberg (1995) “os trabalhadores acabam ficando presos a  uma ainda mais apertada camisa de força” (p.181).

Assim, enquanto numa organização a ouvidoria interna representa um  processo complementar e evolutivo do processo democrático, na outra tenderá  a representar a única forma de participação dos trabalhadores no  desenvolvimento da empresa, gerando o aprimoramento dos padrões e,  conseqüentemente, o engessamento do trabalho por processos padronizados,  cada vez mais burocratizado e mais centralizador da gestão.

IV - Perfil do público interno e externo.

As especificidades de características existentes entre os perfis predominantes  tanto do público interno quanto do externo nas duas instituições, também  interferem e estabelecem diferenças, principalmente, na operacionalização da  respectiva ouvidoria interna.

A Instituição analisada caracteriza-se pela diversidade e multiplicidade de  profissões em seu quadro de pessoal, que incorporam desde atividades  simples a atividades de bastante complexidade. Exemplificando essa  diversidade, seu quadro conta com profissionais: a) sem uma formação  específica, que atuam em atividades simples e de baixa complexidade (pessoal de conservação, serviços gerais e jardinagem, pessoal de manutenção predial,  dentre outros); b) que executam atividades simples, mas com certas especificidades, cujo treinamento é dado pela própria Instituição (limpeza de  laboratórios e lavagem e esterilização de vidrarias junto às unidades de  pesquisa, envasamento de frascos e ampolas nas unidades de produção de  medicamentos e atendentes nas unidades de assistência hospitalar); c) de  nível técnico de diversas formações (técnicos de necropsia e registros médicos  nos hospitais e técnicos de química e de farmácia nos laboratórios); d) das  diversas graduações nas carreiras de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e  gestão (advogados, administradores, contadores, jornalistas e economistas nas  áreas que compõem, principalmente, a tecnoestrutura e a assessoria de apoio,  e também aquelas como, biólogos, químicos, médicos, médicos veterinários e  farmacêuticos, com atuação, em geral, nas diversas estruturas das áreas científicas); e e) distribuídos em níveis de formação e habilidades (pós– doutores, doutores, mestres e pós-graduados), com atuação nas diversas  áreas e unidades técnicas, também envolvidos em macroprojetos de pesquisa  e inovações institucionais em saúde.

Esta diversidade e multiplicidade de perfis concorrem para aumentar a  complexidade na operacionalização da ouvidoria interna, exigindo dos seus  profissionais melhor capacitação e maior domínio do cenário institucional,  assim como em relação ao público externo, que vai desde o paciente do  hospital até organizações estatais, cuja demanda, através da ouvidoria externa,  pode implicar em demanda de ouvidoria interna. Essa diversidade de perfil do  cliente externo também traz para a operacionalização da ouvidoria interna  maior complexidade, implicando numa maior capacitação e formação de sua  equipe.

As instituições financeiras, como a Empresa de referência, diferentemente da  Instituição analisada, possuem um quadro de pessoal, de perfil mais  homogêneo. Este é constituído por empregados concursados que são  contratados como, técnicos bancários, de nível médio e superior, graduados  em direito, engenharia, dentre outras formações, e por prestadores de serviços  de diversas formações, por estagiários e por adolescentes aprendizes. A  especificidade dos perfis é determinada pela padronização dos processos de  trabalho, tratada e capacitada através de forte programa de treinamento, em  geral, no próprio local de trabalho.

A padronização que tem do seu processo de trabalho, a formalização e as  normas existentes devem distinguir a atuação desta ouvidoria interna na busca  por correções, principalmente, das ambigüidades existentes nesses processos  padronizados, identificadas a partir das demandas registradas.

Os perfis dos clientes externos das duas instituições também são diferentes.  Na Empresa de referência é composto pelo conjunto de correntistas (conta  corrente, poupança, habitação e penhor), de trabalhadores, de beneficiários de  programas sociais, de apostadores e de órgãos das diversas instâncias do  Estado e órgãos culturais, educacionais e desportivos. Na Instituição estudada,  o cliente externo é qualquer cidadão que dela necessita, considerando-se  desde pacientes das áreas de atendimento médico até órgãos das diversas instâncias de Saúde do Estado e de órgãos internacionais. Este aspecto  também leva a uma distinção da operacionalização da ouvidoria interna uma  vez que muitas destas manifestações interferem no ambiente de trabalho e  estão relacionadas aos trabalhadores.

Outra especificidade entre as duas organizações está na diversidade de  

localização regional. A Empresa de referência atua em uma grande diversidade  de locais e postos de atuação, o que implica numa estratégia de atuação  efetivada da ouvidoria. A Instituição estudada tem suas atividades mais  centralizadas, em termos de localização, mantendo centros de pesquisa em um  número bem menor de locais. A diversidade de localização regional entre as  duas organizações, também, pode trazer distintas características e  especificidades para os públicos (interno e externo) e, conseqüentemente,  entre as ouvidorias internas.

6.1 - Proposta de um modelo de gestão de ouvidoria interna para a Instituição estudada.

Com o objetivo de contribuir para o processo de planejamento estratégico da  criação de uma ouvidoria interna, particularmente em instituições de CT&I/S, e  na análise das informações obtidas nas entrevistas, realizou-se uma  adequação da aplicação dos conceitos da Matriz SWOT. Essa adaptação visa  à criação da inteligência a ser utilizada na tomada de decisão na construção da  proposta de uma ouvidoria interna, de forma que venha a se constituir como  uma instância a mais, representativa de uma inovação incremental, com vista à  contribuição e complementação do modelo de gestão democrática e processo  participativo da Instituição.

Nesse contexto, funciona como um canal de acolhimento e de atenção aos  direitos e às necessidades do cidadão-trabalhador manifestados,  especificamente, através de reclamações, sugestões, denúncias e elogios,  enviando-os ao órgão demandado e acompanhando-os da tramitação até a  resposta/solução final, com o objetivo de garantir a tempestividade e qualidade  da atenção. Constitui-se em instância facilitadora do processo de atenção às  manifestações do público interno, na busca do bem-estar do ambiente de  trabalho, dentro de uma política de gestão do trabalho, da articulação e  harmonização interna das tomadas de decisões e implantações de inovações,  e de indução das inovações dos processos, produtos e serviços oferecidos,  dentro da dinâmica do Sistema Nacional de CT&I/S.

Dentre as funções da ouvidoria interna deve constar a de intermediar as  mediações, operando como facilitadora, para que sejam identificadas e  implementadas as soluções, e a de indutor das demais instâncias  organizacionais responsáveis pela resposta à manifestação e ao bom  funcionamento, através do processo de inovação constante de seus  procedimentos e processos, para que cheguem cada vez mais próximas do seu  funcionamento ideal e efetividade.

A ouvidoria interna não pode atuar competindo com essas instâncias por um  espaço que não é o seu ou disputando poder, como um poder paralelo, nem  pode pré-julgar as manifestações. Caso contrário, a ouvidoria interna estará  

desviada de sua natureza e da sua função. Como consequência, se assumir o  seu real papel, ilustrado na Figura 5, poderá se constituir num canal facilitador  da integração e harmonia interna, e consolidar-se como mais uma inovação  bem sucedida do modelo de gestão da Instituição.

FIGURA 5 - Ouvidoria Interna para a Instituição analisada

C E

ú s

PÚBLICO INTERNO

p t

Qualquer cidadão-trabalhador.

u r

Direitos e necessidades manifestados através de:  

l a

reclamação, sugestão, denúncia e elogio.

a t

 é

 g

 i

OUVIDORIA INTERNA

 c

∙ Pedagógico e orientador (Pró-atividade);

 a

∙ Operacional - intermediar (demandas e respostas), preservando qualidade e tempestividade, e promover a   _

transparência (relatórios periódicos, cartilha, material educativo, etc.) e o tratamento igualitário

(diversificação do acesso);

A i

∙ Integrador: com a ouvidoria externa e com as instâncias estruturais. Das decisões gerenciais e das  p r

inovações institucionais;

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∙ Indutor - inovações em CT&I/S;

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∙ de Autocrítica – em relação às suas práticas e ao contexto nacional em ouvidoria.

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INSTÂNCIAS ESTRUTURAIS

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verticais; horizontais; colegiadas

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Fonte: Elaboração própria.

Sua institucionalização pode se efetivar como uma ouvidoria interna, ou dentro  de uma ouvidoria geral/única, conjugada com a ouvidoria externa. Em qualquer  um dos formatos, o importante é que as duas ouvidorias atuem em parceria,  articuladas e harmonizadas, e possam trazer inovações e benefícios de  interesse de ambos os públicos, interno e externo, uma vez que a questão  trazida pelo cidadão-usuário pode implicar numa solução de problema interno e  interferir, também, no nível de satisfação do cidadão-trabalhador. Ainda, a  demanda interna pode trazer solução para um problema externo e pode  interferir no nível de satisfação do público externo.

Na institucionalização de qualquer área algumas etapas devem ser  observadas, com a definição de um cronograma orientador, a ser definido  dentro da lógica participativa de gestão. Elas são indispensáveis a uma  ouvidoria interna, onde o foco, a missão, os objetivos, os papéis, o fluxo, dentre  outras características, precisam estar definidos, mesmo antes do início de suas  atividades, minimizando o fluxo da demanda, as tensões existentes e os  conflitos.

Para a consecução dos objetivos e missão da ouvidoria interna, o ouvidor  precisa de uma boa retaguarda, a qual deve conjugar uma equipe composta  

por profissionais competentes e uma infra-estrutura adequada. Nesse sentido,  o ideal seria que pudesse compartilhar a infra-estrutura, espaço físico, pessoal,  tecnologia, dentre outras possibilidades existentes na ouvidoria, de natureza  externa, facilitando o investimento em outras dimensões que venham a  melhorar o nível de atenção desses canais, externo e interno.

A equipe de trabalho deve ser composta por profissionais que tenham, tanto  domínio das atividades de ouvidoria interna quanto conhecimento geral das  atividades desenvolvidas pelo conjunto da Instituição.

Esta equipe deve ser formada pelo ouvidor, um assessor como substituto, uma  secretária, um analista e de operadores de atendimento em quantidade  proporcional e diretamente relacionada ao número de ocorrências registradas.  Os profissionais devem ser servidores do quadro de pessoal da Instituição, em  função da natureza das atividades da ouvidoria interna, caso contrário, estará  sujeita à perda de continuidade e da qualidade do trabalho, o que pode ser  resolvido através da incorporação por transferência de servidores de outras  áreas ou por aprovação em concurso público.

Dentre os possíveis investimentos, destacamos aquele relacionado à  ampliação dos meios de acesso, oferecendo outras opções, hoje limitadas à  Internet, correio eletrônico e contato pessoal, para atender à diversidade de  perfis existentes entre os demandantes e de localização das unidades,  buscando facilitar a comunicação com a ouvidoria interna para que o cidadão trabalhador possa expressar os seus direitos e necessidades pontuais e  individualizados e, como consequência, ampliando a sua universalização.

Importa, também, destacar os investimentos em novas tecnologias. O ideal é  que fosse um sistema informatizado único e integrado, contemplando tanto as  atividades de ouvidoria, interna e externa, como as atividades do portal  institucional (solicitação de informações), e de fácil compreensão pelos  públicos, interno e externo. Sistema que possibilite o(a): a) controle das  manifestações e do fluxo, do acolhimento à solução; b) visão sistêmica do  conjunto das unidades e a gestão das informações obtidas; c) emissão,  periódica, de relatórios operacionais, gerenciais e institucionais, com  informações qualitativas e quantitativas; d) avaliação de desempenho das  ouvidorias junto aos seus usuários (público interno ou externo); e e)  identificação dos principais entraves, riscos e oportunidades, e indicação de  soluções corporativas, tanto para a correção dos erros cometidos quanto para  evitar e/ou prevenir futuras demandas.

Dentre as razões para o acolhimento das reclamações, reivindicações e  denúncias no serviço público, Oliveira (2001) aponta o fato de que “a tabulação  dos resultados de um sistema de reclamação dirige atenção e providências  para áreas que necessitam de melhorias e aperfeiçoamento” (p. 25). Desta  forma, deve-se dar importância e tratamento para a gestão das interfaces entre  as instâncias de atenção à demanda do público interno, trazendo mais  agilidade nas respostas a partir de um processo integrado de comunicação, permitindo uma conjunção de esforços para a resolução final facilitada pelo  

sistema informatizado. Este sistema deve atender a um fluxo de demanda a ser  seguido a partir da ouvidoria interna.

Outro investimento importante seria na maciça divulgação interna do novo  canal e dessa possibilidade de atendimento, antes mesmo da sua  institucionalização, como também da opção oferecida pelo sigilo no ato do  registro da sua manifestação. Esta divulgação deverá ter por objetivo reduzir as  possíveis resistências ou falta de compreensão de algumas áreas em relação  ao papel da ouvidoria interna, com as quais irá conviver, procurando atuar no  sentido tanto de manter o monitoramento dessas resistências quanto de definir  estratégias de esclarecimentos e transparência de suas atividades junto ao  público interno e à Instituição.  

Para garantir sua consolidação, à ouvidoria interna, além do vinculo direto com  a Presidência e do apoio formal deste e dos diretores de todas as unidades, ela  deve assumir diversas ações, dentre elas a pedagógica, prestando  esclarecimentos e orientações aos demandantes (cidadãos-trabalhadores) e  aos demandados (profissionais ou gestores responsáveis pela atenção) quanto  ao seu papel, seus objetivos e à sua missão, dentre outros aspectos. Enfim, um  trabalho intensivo de sensibilização de todos na Instituição.

Cabe destaque nesse processo, à orientação ao manifestante quanto ao  encaminhamento correto de sua demanda e à necessidade de esgotar as  possibilidades de soluções através das instâncias internas existentes na  Instituição, e a eliminação de “farpas” decorrentes dos desequilíbrios  emocionais ou mal entendidos, visando amenizar as manifestações.

Explicar, ainda, o papel que tem de orientar os gestores ou profissionais  responsáveis pela resposta quanto à importância da qualidade e  tempestividade do retorno efetivo da resposta/solução ao manifestante e à  possibilidade da demanda não ser procedente e mesmo assim receber esse  tratamento. Nessa perspectiva a manifestação do cidadão-trabalhador deve ser  entendida como contribuição na inovação de processos, produtos e serviços,  assumindo essas manifestações como parte da inteligência corporativa  existente e uma consultoria gratuita, através do olhar de quem mais conhece  os meandros dos processos de trabalho e da Instituição - os trabalhadores.

O papel de educador, além de considerado importante pelos entrevistados, foi  destacado, também, nas recomendações finais do presente estudo, para que  seja implementado, intensivamente, mesmo antes da ouvidoria interna ser  institucionalizada, lembrando que, mesmo depois desse trabalho pedagógico e  de divulgação, o canal irá tratar com demandas latentes e reprimidas, de  intervenção pró-ativa.

Outra ação importante a ser considerada e implementada pela ouvidoria interna  é a de estimular parcerias internas entre as instâncias estruturais. As parcerias  deverão buscar e viabilizar soluções e correções de processos e de posturas  administrativas, a melhoria das relações interpessoais e do bem-estar no  ambiente de trabalho e, conseqüentemente, a melhoria da qualidade dos produtos e serviços oferecidos, parcerias para a promoção do processo de  inovação interno a partir da manifestação do cidadão-trabalhador, como  

inteligência corporativa existente na Instituição e dentro da lógica da gestão do  trabalho.

Para as unidades com localização diferente da Instituição analisada, e visando  à redução das distâncias e ao acesso à ouvidoria interna, deve-se adotar um  trabalho à distância, garantindo a extensão de todas as estratégias de  ouvidoria definidas, inclusive as de divulgação e orientação adotadas. Este  trabalho deve ser diferenciado e conjugado com as atividades de ouvidoria  externa, conduzido em parceria com o principal gestor de cada unidade e ter a  aderência prévia dos cidadãos-trabalhadores locais.

No processo de implementação de uma ouvidoria interna, um dos requisitos  para o seu sucesso é o estabelecimento de um clima organizacional acolhedor,  de apoio institucional e com normas que garantam a autonomia de ação,  porque se os canais de comunicação da empresa estiverem bloqueados e as  relações comprometidas, a ouvidoria não poderá ser efetiva. Isto,  independentemente do público para o qual atua, seja interno ou externo.

O processo eleitoral não se aplica ao cargo de ouvidor interno por ser  incompatível com as características de suas atividades e por não lhe ser  possível assumir compromisso junto a eleitores ou a campanhas eleitorais. O  ouvidor necessita de independência e neutralidade para exercer, em plenitude,  o seu papel. A legitimidade deve ser conquistada pela capacidade de  representar o cidadão-trabalhador. Assim, a forma mais indicada para a  escolha do ouvidor interno é que ela seja feita pela Presidência da Instituição,  com base em critérios e perfil previamente definidos. Lembrando-se que a  consolidação de uma ouvidoria está relacionada, também, ao perfil do  profissional que ocupa o cargo de ouvidor, o qual, além dos atributos  profissionais (técnicos e de habilidades) e morais, deve possuir ainda, algumas  características de personalidade adequadas ao exercício desse cargo.

Neste sentido, considera-se relevante, dentre outros aspectos, que o  profissional seja do quadro, conheça a organização e, especificamente, o que  se refere à gestão do trabalho, seja pró-ativo, tenha sensibilidade e empatia,  bom trânsito pelas unidades e setores, reconhecimento interno e capacidade  de análise crítica.

Importante também, é que, a partir dessa escolha, o ouvidor tenha nomeação  formal e possa ser ordenador de despesas da ouvidoria, e assim, tornando-se  independente.  

O mandato é uma forma importante de garantia da autonomia e independência  de atuação do ouvidor, principalmente para que não fique exposto a  mecanismos de pressão, como a exoneração, em função de sua atuação ou de  interesses políticos, mas sujeito aos mesmos critérios a que está sujeito  qualquer dirigente eleito na Instituição, de probidade administrativa e  fundamentados na ética profissional. Sugere-se que tenha um mandato e que  seja por um prazo previamente definido (três ou quatro anos), com prorrogação por igual período, independentemente, do mandato dos dirigentes da  Instituição.

Finalmente, para a consolidação da ouvidoria interna é importante a construção  de um sistema de avaliação dos seus trabalhos, a ser construído, tanto através  do sistema informatizado quanto através de pesquisas periódicas de opinião,  contemplando algumas dimensões e observando-se os seguintes pontos de  avaliação: a) quanto ao atendimento, receptividade e facilidade da ausculta; b)  quanto à satisfação em relação à resposta/solução recebida pela manifestação  registrada; c) tempo/velocidade de transmissão das demandas (do recebimento  da mensagem do demandante à entrega ao responsável pela resposta e do  recebimento da resposta/solução à entrega ao demandante); d) quantidades de  reenvio das mensagens (por correção/erro da ouvidoria); e e) inovações  implementadas a partir da manifestação registrada pelo cidadão-trabalhador.

Complementa-se este processo, especificamente, através da realização de  pesquisas periódicas de opinião, onde se avalia o nível de credibilidade  conquistada e o conhecimento, pelo público interno, da existência dos meios e  amplitude de acesso e também, dos objetivos, papel e missão da ouvidoria  interna.

Os resultados do sistema de avaliação devem ser considerados como  contribuição para uma autocrítica interna e revisão dos procedimentos e  práticas da ouvidoria interna no sentido de não desviá-la de sua natureza e  papel.

A presente proposta de modelo de gestão de ouvidoria interna está de acordo  com a literatura e construída a partir da percepção dos entrevistados e do  observado na Empresa de referência. Atende também, às características  próprias de instituições de CT&I/S, analisadas através dos conceitos  apresentados por Mintzberg, de configuração predominantemente híbrida entre  a Burocracia Profissional e a Adhocracia, características que trazem para a  ouvidoria interna uma especificidade em suas dimensões, como a sua  operacionalização, a natureza da demanda e a formação da equipe do canal.

7. Conclusão.

A satisfação do trabalhador tem sido uma preocupação crescente nos modelos  organizacionais contemporâneos. Nessa temática, uma das questões é como  responder às demandas internas dos trabalhadores de maneira satisfatória e  com repercussão positiva no processo de trabalho.

A Instituição estudada, de atuação em CT&I/S, desde meados da década de  80, vem promovendo um modelo inovador de gestão baseado no princípio  democrático e participativo de seus trabalhadores. Entretanto, não se observa,  ainda, um padrão interno de atendimento aos direitos e necessidades  específicas dos cidadãos-trabalhadores que lhes ofereça maior agilidade e  racionalidade nas respostas. Atualmente, essas manifestações são remetidas  para diferentes instâncias da Instituição o que acarreta demora e possíveis respostas contraditórias entre uma instância e outra, dependendo da natureza  da demanda.

O presente estudo apresenta a proposta de modelo de gestão para este canal  de forma a possibilitar a sua adequada inserção, como uma instância a mais e  em complemento a esse modelo consolidado na Instituição, tendo como  principais objetivos a melhoria dos níveis de satisfação interna dentro da lógica  da gestão do trabalho, e a de considerar a manifestação do cidadão trabalhador como possibilidade de contribuição ao processo de inovação e  desenvolvimento da Instituição e do âmbito da saúde.

Nesse sentido, a ouvidoria interna a ser criada na Instituição, como uma  instância de atenção à demanda pontual e particularizada do cidadão trabalhador, deve promover uma articulação entre as diferentes instâncias  estruturais, de forma a se integrar e harmonizar com estas, na busca de um  processo mais racional e ágil como fatores importantes para a eficiência,  eficácia e efetividade nas respostas às manifestações dos cidadãos trabalhadores.

Considera-se que as características da Instituição, de atuação dentro de um  ambiente dinâmico e complexo que envolve o processo de inovação e uma  configuração híbrida de Burocrática Profissional Adhocrática de Minstzberg  

(1995), trazem para o canal a ser implementado, certa especificidade em  relação à natureza da manifestação registrada, ao perfil do público interno e à  organização da respectiva equipe de trabalho.

Estas especificidades podem se apresentar pelo fato de o mecanismo de  coordenação na Instituição ser exercido, predominantemente, em função da  padronização de habilidades e dos ajustamentos mútuos entre seus  profissionais, que estão treinados e doutrinados em função de sua formação e  dentro de um contexto que conjuga uma diversidade de perfis. Também, por  exigir alto grau de especialização horizontal e podendo estar distribuído entre  esses profissionais e os peritos.

A criação de uma ouvidoria interna é mais um fator, dentro da gestão do  trabalho, que interfere nos níveis de satisfação, de motivação e de bem-estar  no ambiente de trabalho, pelo respeito e atenção à demanda do cidadão trabalhador e que, por sua vez, interfere no processo de criatividade individual  e coletiva, gerando um clima fértil para o processo inovativo, de geração de  conhecimento e desenvolvimento de tecnologia em saúde.

Porém, mais do que isso, contribui também, diretamente, para o processo de  identificação de pontos críticos e entraves dos processos, produtos e serviços  oferecidos, como conseqüência da manifestação do cidadão-trabalhador  através da ouvidoria interna, que pode ser traduzida em oportunidade para a  identificação das respectivas soluções que representam uma geração de  conhecimento e desenvolvimento tecnológico a serem implementados. Este  canal como um mecanismo a mais para a promoção, articulação e  harmonização das inovações no âmbito da Instituição, e da respectiva difusão  para o complexo industrial da saúde e o Sistema Nacional de Inovação.

Assim, espera-se com este estudo, estar contribuindo para a compreensão do  real papel de uma ouvidoria interna e considera-se, pela importância que  significa para o desenvolvimento institucional, que sua implantação seja  efetivada de imediato.

8. Referências bibliográficas.

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Endereço para correspondência

Mara Dias Pereira

E-mail: mara.pereira@incqs.fiocruz.br

Recebido em: 13/11/2012

Aprovado em: 17/07/2013

Revista IGT na Rede, v. 10, nº 18, 2013, p.37-80 DOI 10.5281/zenodo.15042782

Disponível em http://www.igt.psc.br/ojs ISSN: 1807-2526


[1] No texto estaremos tratando das instâncias estruturais/organizacionais: a) verticais – diretorias,  departamentos, serviços, dentre outras; b) horizontais (estruturas matriciais) – coordenações de ações  programáticas; e b) colegiadas – congressos internos, câmaras técnicas, comitês, dentre outras.

[2] De acordo com o Dicionário Aurélio (FERREIRA, 1999, p. 1443) temos a seguinte definição:  “Ombudsman (búds). [Do sueco ombud, ‘representante’, ‘deputado’, + ingl. man, ‘homem’.] S.m. 1. Nos  países de democracia avançada como, p. ex., a Suécia, funcionário do governo que investiga as queixas  dos cidadãos contra os órgãos da administração pública. 2. P. ext. Pessoa encarregada de observar e  criticar as lacunas de uma empresa, colocando-se no ponto de vista do público: ‘o ombudsman critica o  próprio jornal que lê com olhos do leitor’ (Jornal do Brasil, 25.6.1985)”.

[3] O papel de uma ouvidoria interna não pode ser confundido com o das diversas instâncias estruturais de  uma organização. Não compete à ouvidoria “apurar denúncias de irregularidades e infrações (disciplina  e processo administrativo), ou realizar auditorias” (CONTROLADORIA-GERAL DA UNIÃO, 2004).  Existem sim interfaces.

[4] O esquema da organização (denominado “logotipo”) é dividido em cinco partes: a) Núcleo operacional;  b) Linha intermediária; c) Cúpula estratégica e d) Tecnoestrutura – conjunto de analistas ou órgãos cuja  atribuição principal é a padronização. (MINTZBERG, 1995).

[5] De acordo com o Dicionário Aurélio (FERREIRA, 1999, p. 1369) temos a seguinte definição:  “mosaico1. [Do it. Mosaico.] S. m. 1. Pavimento de ladrilhos variegados. 2. Embutido de pequenas  pedras, ou de outras peças de cores, que pela sua disposição aparentam desenho. 3. Fig. Qualquer trabalho  intelectual ou manual composto de várias partes distintas ou separadas [...]”.