UNIVERSIDADE
DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
CAMPUS
FRANCISCO NEGRÃO DE LIMA
INSTITUTO
DE PSICOLOGIA
CURSO
DE PSICOLOGIA
RESENHA SOBRE O LIVRO:
GESTALT-TERAPIA INTEGRADA
ALUNO:
Roberta Ferreira Domingues
Turma:
1999.2
PROFESSOR:
Eleonora
DISCIPLINA:
Gestalt-terapia I
RIO DE
JANEIRO, JULHO, 2003.
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Gestalt-terapia
Integrada é um
trabalho realizado a quatro mãos pelo celebre casal de gestalt-terapeutas
Miriam e Erving Polster, pertencentes à primeira geração norte-americana.
Apesar de ser composto dessa maneira bastante particular, este primeiro livro
escrito pelo casal, apresenta uma harmonia rara a trabalhos neste molde.
Composto
a partir de palestras de Erving Polster e de discussões deste com Mirian
Polster, o livro busca, como já sugere o título, criar uma integração maior
entre os conceitos da abordagem gestáltica, o que se constituiu numa tarefa
extremamente necessária na ocasião e que foi alcançada com bastante êxito pelos
autores. A Gestalt-terapia, por ter se apropriado do conhecimento de diversas
teorias e abordagens anteriores a ela, toma um aspecto pouco teórico, faltando
assim, alinhavar todo esse conhecimento de maneira a compor uma estrutura com
um delineamento mais preciso. É justamente a isso que vem o Gestalt-terapia
Integrada, não só enumerando os principais conceitos da Gestalt-terapia
(resistência, fronteiras, awareness e experimento, entre outros), como
elucidando-os e também criando novos conceitos. Tudo isso, numa linguagem
simples sem, no entanto, perder o objetivo teórico.
Seguindo
este caminho e, ao mesmo tempo, mantendo sempre a diversidade do trabalho, o
livro acaba por oferecer um amplo desenvolvimento sobre o que é a
Gestalt-terapia, lançando mão inclusive de inúmeros exemplos clínicos.
Após
uma breve introdução, se divide então em dez capítulos sendo, cada um,
referente a um conceito específico. Não pretendo aqui, me estender na explanação
do conteúdo de cada um destes capítulos, tarefa esta que cabe apropriadamente
ao livro em si, mas chamo atenção para aqueles que me parecem mais importantes
para o entendimento da Gestalt-terapia.
Logo
no segundo capítulo os autores expõem um tema essencialmente desenvolvido pela
Gestalt que é o tema da figura-fundo. Intitulado “A figura viva”, o capítulo
explica a influência da motivação na percepção do ser humano, explicando assim
o funcionamento da figura-fundo e ainda outra característica importante da
percepção que é o fechamento, ou a tendência do indivíduo de perceber as
figuras completas mesmo que o estímulo seja algo que contenha vazios.
Em seguida,
temos dois capítulos que vão falar sobre o conceito de resistência, o primeiro,
numa tentativa de explicar o que é a resistência e o seguinte, explicando
separadamente quais seriam os principais canais de interação resistente.
Destaco aqui, que estes canais são classificados pelos diversos autores da
Gestalt-terapia de formas distintas, os Polster especificamente,
classificaram-nos como introjeção, projeção, retroflexão, deflexão e
confluência.
O
outro conceito que surge é o de contato. Desenvolvido em três capítulos, tal
conceito traz consigo a idéia de fronteira, a qual também é muito importante
para que entendamos a Gestalt-terapia. Assim, o contato diz respeito à função
que sintetiza a necessidade de união e de separação inerente ao indivíduo e a
fronteira é justamente o que delimita este contato. Logicamente, ela pode ter
várias formas, de acordo com a situação em que se aplica, podendo ser uma
fronteira do eu, do corpo, uma fronteira de valor ou de familiaridade.
Mais
adiante e também muito importante, está a exposição do conceito de awareness.
O casal esclarece a importância de se estar aware para que a terapia
seja desenvolvida com sucesso. No entanto, explicar o que significa awareness
não se constitui numa tarefa fácil nem mesmo para o gestalt-terapeuta e neste
caso, pode-se perceber que o esforço dos autores em realizar esta tarefa foi
mais uma vez bem sucedido, tendo como resultado um capítulo de ótima qualidade
sobre o tema.
Por
último, expõe-se o conceito de experimento. Percebe-se também que,
inicialmente, o livro vem estruturando a Gestalt-terapia e, à medida que essa
estrutura vai sendo formada, vamos nos aproximando da experiência clínica em
si. Portanto, este nono capítulo que abre a questão do experimento já se
apresenta claramente perpassado pela clínica. O experimento é a tentativa de
conexão entre o falar sobre e a ação, realizado no momento mesmo da terapia, em
busca de uma integração entre aquilo que o individuo fala e o que ele realmente
é enquanto age no mundo. O décimo capítulo encerra a obra com exemplos de
experimentos diversos que são utilizados na Gestalt-terapia.
Após
essa descrição, o leitor pode por si, avaliar o grande valor do trabalho aqui
resenhado, não só para a sociedade gestáltica mas também, para aqueles
psicólogos e estudantes que queiram se introduzir na Gestalt-terapia. Além
disso, para aqueles que já desenvolvem a Gestalt-terapia, o Gestalt-terapia
Integrada é um livro para acompanhar-lo em toda sua trajetória, seja
transmitindo-o aos novos gestalt-terapeutas ou relembrando aquilo que ele
propôs de melhor, uma integração dos conceitos da abordagem gestáltica.
Referência
Bibliográfica:
Ø
POLSTER,
Erving & POLSTER, Miriam – Gestalt-terapia Integrada – São
Paulo: Summus, 2001